Papa: um mundo sem Deus corre o risco de deixar o homem sem lugar

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Na vigília de oração em Montevidéu, Leão XIV alertou para o avanço da secularização e da indiferença religiosa. O Pontífice recordou que a força da Igreja não está no número de fiéis, mas no testemunho de Cristo, e encorajou os cristãos a não terem medo de assumir compromissos definitivos e de responder ao chamado à santidade.

Thulio Fonseca – Vatican News

O Estádio Centenário, em Montevidéu, palco da final da primeira Copa do Mundo, em 1930, recebeu, neste sábado (07/11), a vigília de oração presidida pelo Papa Leão XIV. Mais de 70 mil fiéis participaram do encontro em um dos países mais secularizados da América Latina, onde apenas 33% dos adultos se identificam como católicos e 9% se declaram praticantes, segundo uma pesquisa divulgada em agosto deste ano.

“Ter o Papa entre nós é um golaço!” Foi com essa expressão, inspirada na paixão dos uruguaios pelo futebol, que o cardeal Daniel Fernando Sturla Berhouet, arcebispo metropolitano de Montevidéu, acolheu o Santo Padre no início da vigília. O purpurado recorreu à linguagem do futebol para recordar que a fé não pode ser vivida apenas das arquibancadas: “Cristo nos convida a ingressar em campo no jogo da vida”. Assim como os uruguaios vestem com orgulho a camisa da seleção nacional, conhecida como Celeste, o cardeal convidou os cristãos a testemunharem a felicidade de seguir Jesus na família, no bairro e no trabalho. “Se somos cristãos, que isso seja visível!”, concluiu.



  (VATICAN MEDIA)

Em seu sexto pronunciamento no Uruguai, o Papa Leão após agradecer os testemunhos apresentados durante o encontro, reconheceu a dedicação de tantas famílias, sacerdotes, religiosos e leigos que, muitas vezes de maneira silenciosa, mantêm viva a presença de Cristo nas comunidades.

A fé diante da indiferença religiosa

Ao refletir sobre o avanço da secularização e da indiferença religiosa, Leão XIV observou que, em muitos lugares, a transmissão da fé entre as gerações já não ocorre como no passado. Nesse contexto, destacou o testemunho dos cristãos uruguaios, que aprenderam a viver e anunciar o Evangelho mesmo como minoria. Inspirado na cidade bíblica de Belém, pequena aos olhos do mundo, mas escolhida por Deus para o nascimento de Jesus, o Papa recordou que a importância da presença cristã não pode ser medida apenas por critérios humanos: “Deus escolheu Belém, e essa escolha é suficiente para que não identifiquemos pequenez com insignificância”.

O Pontífice advertiu, porém, que a indiferença também pode atingir aqueles que creem. Em meio às ocupações, aos projetos e às distrações da vida cotidiana, corre-se o risco de não perceber a ausência de Deus. Ao recordar que não havia lugar para Jesus nascer, Leão XIV estabeleceu um paralelo com a sociedade contemporânea, na qual a fé muitas vezes é relegada à esfera privada:

“Quando se pretende construir um mundo sem Deus, corre-se o risco de deixar também o homem sem lugar.”



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Não tenham medo do “para sempre”

O Papa também dirigiu um apelo especial aos jovens, encorajando-os a assumir com coragem os compromissos da vida cristã. Convidou aqueles que desejam constituir uma família a não terem medo do matrimônio e pediu aos esposos que acolham a vida, mesmo diante de uma sociedade que, por vezes, considera os filhos um fardo. Leão XIV também incentivou aqueles que sentem o chamado ao sacerdócio ou à vida consagrada a não ignorarem a própria vocação por medo de renunciar a outras possibilidades.

O Santo Padre recordou ainda que a fé se manifesta nas escolhas concretas, na honestidade, no perdão e na disposição de servir aos outros. O testemunho cristão, ressaltou, deve despertar perguntas e conduzir ao encontro com Jesus: “Para muito iluminar, não é preciso sermos muitos, mas refletir a luz do Senhor”.

Cristo nos chama a uma vida plena

Ao recordar o anúncio dos anjos aos pastores de Belém, Leão XIV destacou que a felicidade do Evangelho é destinada a todos, inclusive àqueles que ainda não procuram Deus. É essa a boa notícia que a Igreja é chamada a levar ao mundo: a esperança de que o pecado pode ser perdoado, de que sempre é possível recomeçar e de que o amor de Deus é mais forte que a morte, o ódio, a violência e a guerra.



  (VATICAN MEDIA)

Na parte final do discurso, o Papa convidou os fiéis a não se contentarem com uma fé vivida apenas por costume, mas a buscarem a santidade e uma verdadeira metamorfose da vida pelo encontro com Jesus:

“Cristo não nos chamou à mediocridade, chamou-nos a uma vida nova e plena como a sua.”

Por fim, Leão XIV recordou que Belém significa “lar do pão”, estabelecendo uma ligação com a presença real de Cristo na Eucaristia. O Pontífice incentivou os fiéis à adoração eucarística e confiou a vida de todos à proteção de Nossa Senhora dos Trinta e Três, padroeira do Uruguai.



  (VATICAN MEDIA)

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