Angola – Cáritas apela ao reforço da resiliência comunitária

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A Cáritas de Angola encerrou no domingo, 23 de agosto de 2026, em Viana, o seu Conselho Geral, realizado de 21 a 23 de agosto, na lar de Espiritualidade das Irmãs Mercedárias, sob o lema “Resiliência comunitária, um compromisso de todos”.

Ribeiro André – Rádio Maria Angola

O encontro que reuniu durante três dias, responsáveis e representantes da Cáritas de Angola, encerrou com uma missa de acção de graças, presidida pelo  bispo auxiliar de Luanda, Dom António Lunguieki Pedro Bengui, Presidente da Cáritas. 

O também presidente da Comissão para a Pastoral Social da CEAST explica que o lema que norteou o conselho nasce das experiências constatadas nas comunidades, daí a necessidade de fortalecer as famílias para superar as crises de maior capacidade com autonomia.

O prelado refere que o que pretende é construir uma Cáritas que acompanhe e instrua as famílias a fórmula da sobrevivência.

O momento serviu para uma reflexão conjunta sobre os desafios que afetam as comunidades e sobre a necessidade de fortalecer respostas solidárias, participativas e sustentáveis perante as diferentes situações de vulnerabilidade social atravessada pelas famílias.



Participantes do Conselho Geral da Caritas de Angola   (©Ribeiro André)

Durante os trabalhos, os participantes analisaram por outro lado a realidade das comunidades e refletiram sobre o papel da Cáritas na promoção da dignidade humana, da solidariedade e do desenvolvimento integral. O lema escolhido para esta edição destacou a importância do envolvimento coletivo na construção de comunidades mais preparadas para enfrentar crises e adversidades.

A resiliência comunitária foi apresentada como uma responsabilidade que ultrapassa a ação das instituições, exigindo o compromisso das famílias, comunidades, organizações da sociedade civil, Igreja e demais parceiros sociais. Neste sentido, o Conselho Geral reforçou a necessidade de uma atuação coordenada e próxima das populações, valorizando os recursos e capacidades existentes nas próprias comunidades.

O reforço da identidade e missão do braço social da igreja angolana está entre as recomendações produzidas pelos delegados ao 41º conselho geral. A leitura das recomendações coube ao secretário-geral da Cáritas de Angola, João Nicolau.

Os delegados ao conselho geral aprovaram o lema e a diocese que vai acolher a próxima semana nacional de solidariedade prevista para 2027, trata-se da diocese da Ganda.

A directora da Cáritas diocesana da Ganda, irmã Maria Mendonça, missionária franciscana de Maria, recebe com felicidade e responsabilidade a realização da semana de solidariedade na sua diocese.

Irmã Lídia, Diretora Geral da Cáritas de Angola

Irmã Lídia, Diretora Geral da Cáritas de Angola   (©Ribeiro André)

O encontro serviu igualmente para avaliar o caminho desenvolvido pela Cáritas de Angola e definir prioridades para a continuidade da sua missão social e pastoral, com particular atenção às populações em situação de maior vulnerabilidade.

Na sessão de encerramento, foi reafirmado o compromisso da Cáritas em continuar a trabalhar em favor das comunidades, promovendo ações que contribuam para a superação das dificuldades e para a construção de uma sociedade mais solidária, inclusiva e resiliente.

Com o encerramento do Conselho Geral, os participantes regressam às suas comunidades com o desafio de transformar as reflexões e compromissos assumidos em ações concretas, fazendo da resiliência comunitária um compromisso de todos.

RECOMENDAÇÕES

Face ao exposto, o Conselho Geral recomenda:

1. Reforçar a identidade e a missão da Cáritas, mantendo a dignidade humana, a opção pelos mais pobres e a caridade cristã como fundamentos da sua acção.

2. Promover uma intervenção centrada na pessoa, privilegiando o acolhimento, a escuta, o acompanhamento, a capacitação, a autonomia e a participação das comunidades.

3. Assumir a resiliência comunitária como prioridade transversal, fortalecendo as capacidades das comunidades para prevenir, enfrentar e superar situações de crise e vulnerabilidade.

4. Concluir e implementar o processo de revisão do Estatuto da Cáritas de Angola, clarificando as competências, responsabilidades e relações entre os diferentes órgãos e estruturas.

5. Aprovar e implementar o Plano Estratégico Institucional 2027–2031, assegurando o envolvimento das diferentes estruturas da Cáritas e o acompanhamento regular da sua execução.

6. Retomar e consolidar a implementação dos Standards de Gestão da Cáritas Internationalis, assegurando procedimentos e padrões institucionais comuns.

7. Reforçar a organização, gestão e capacidade institucional das Cáritas Diocesanas e Paroquiais, através de formação, acompanhamento e criação de uma base de dados de necessidades, necessitados e económicos.

8. Fortalecer a transparência, a prestação de contas, controlo financeiro e o cumprimento das obrigações estatais (INSS, IVM e IRT), assegurando maior rigor na gestão das quotas, colectas, projectos e demais recursos.

9. Melhorar a articulação entre a Direcção Geral, as Províncias Eclesiásticas, as Cáritas Diocesanas e as Cáritas Paroquiais, Centros e Missões, promovendo maior coordenação e complementaridade na intervenção.

10. Fortalecer as parcerias e a cooperação institucional, procurando relações, cujos recursos têm origem credíveis que contribuam para a sustentabilidade das acções e para o fortalecimento da resiliência das comunidades.

11. Criar e consolidar um modelo de comunicação institucional, que permita divulgar de forma sistemática a missão, as actividades, os resultados e o impacto da Cáritas.

12. Promover a pastoral de conjunto e a participação comunitária como expressões concretas da co-responsabilidade e do serviço aos mais vulneráveis.

13. Reforçar a advocacia social da Cáritas, particularmente nas áreas que afectam directamente a vida e a dignidade das comunidades, incluindo a prevenção e eliminação da malária.

Em relação a realização do Conselho Geral 2028, foi informado que continuará a acontecer em Luanda, antes da II Assembleia Plenária da CEAST.

Lançamento Semana Nacional de Solidariedade

O lançamento da Semana Nacional de Solidariedade continuará na rotatividade das dioceses, sendo que a de 2027, terá lugar no dia 21 de Fevereiro, na Diocese da Ganda, sob o lema “Resiliência comunitária: um compromisso de todos”, cuja aplicação do lema terá a duração de dois anos. Com efeito, as dioceses da província eclesiástica que acolhe são convidadas a participar.

Fonte

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