Anunciada uma trégua humanitária para a cidade ucraniana de Oleshky

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Ucrânia e Rússia confirmam o acordo para um cessar-fogo local em Oleshky, onde a população civil enfrenta uma grave crise alimentar. A mediação dos Estados Unidos, com o envolvimento da primeira-dama Melania Trump, foi determinante. O presidente Zelensky concorda com a proposta de novas negociações trilaterais com EUA e Rússia em Abu Dhabi, em novembro.

Stefano Leszczynski – Vatican News

A notícia da trégua em Oleshky, que poderia ingressar em vigor a partir da próxima terça-feira (27/10), surge uma semana após o pedido formulado pelo Papa Leão XIV. O Pontífice, do Hospital Gemelli, onde estava internado, manteve uma conversa por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, colocando em destaque justamente a situação humanitária da cidade na região de Kherson e a urgência de uma trégua para permitir a chegada de ajuda alimentar e médica, bem como a evacuação voluntária e segura da população civil. Na segunda-feira (19/10), o Papa havia conversado com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky: também nessa conversa, o foco foi a situação em Oleshky e a necessidade de estabelecer uma trégua humanitária.

O anúncio da lar Branca e a confirmação de Kiev e Moscou

A notícia do acordo foi divulgada pela lar Branca, que indicou 29 de outubro como data para o início da trégua. O comissário para os direitos humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, confirmou a notícia da trégua, agradecendo a Melania Trump pelo papel que desempenhou na obtenção do cessar-fogo, acrescentando que se trata de uma missão humanitária complexa: “a operação ocorrerá gradualmente”, escreveu ele no Telegram, ressaltando que a Ucrânia “fez e está fazendo todo o possível para salvar os cidadãos que se encontram em Oleshky”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também confirmou o acordo sobre a trégua para levar ajuda humanitária e permitir a evacuação da população civil. As Forças Armadas russas irão impor um cessar-fogo a partir das primeiras horas da manhã de terça-feira, 27 de outubro, para facilitar a operação humanitária.

Acordo de Kiev também sobre as negociações em Abu Dhabi

O presidente Volodymyr Zelensky confirmou que as delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos se reunirão na primeira quinzena de novembro em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O novo encontro trilateral, que ocorrerá no âmbito de grupos de trabalho, representa mais um passo na tentativa de retomar o colóquio direto entre Moscou e Kiev, com a mediação de Washington, para cessar as hostilidades. O anúncio do presidente ucraniano ocorre após as conversas mantidas nesta sexta-feira (23/10) com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, que nos últimos dias se reuniram com o presidente russo Vladimir Putin. A retomada das negociações havia sido antecipada pelo Kremlin, que havia manifestado disposição para voltar à mesa de negociações após 10 de novembro.

Zelensky: garantias de segurança são indispensáveis

A perspectiva de um novo confronto diplomático não altera, no entanto, as condições estabelecidas por Kiev para um eventual acordo de paz. Zelensky reiterou que qualquer acordo deverá prever sólidas garantias internacionais de segurança, capazes de proteger a Ucrânia do risco de novas agressões russas. O presidente ucraniano também destacou a necessidade de garantir financiamento por pelo menos 10 anos para a manutenção das forças armadas ucranianas. A questão das garantias de segurança continua, portanto, sendo um dos principais pontos de discórdia nas negociações, juntamente com as questões territoriais e as modalidades de implementação de um eventual cessar-fogo.

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