Cultura da Vida: a normalização do aborto passa pela desumanização do nascituro

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Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 35° encontro, a normalização do aborto passa pela desumanização do nascituro.

Vatican News

Olá, amigos da Rádio Vaticano. Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Semana passada comentamos sobre o caso de Massachussets, onde foi assinada uma lei que retira o limite de idade gestacional para a prática do aborto, conforme critérios médicos. Nós podemos nos questionar: como é possível que uma sociedade aceite naturalmente a eliminação de bebês do ventre materno, até o final da gestação?

Isso não acontece do dia para a noite. Para que práticas que antes causariam grande rejeição social passem a ser toleradas ou mesmo defendidas, é necessário que aconteça uma mudança na maneira como a sociedade entende aquela realidade. Por isso, há muitas décadas, tem sido feito um processo lento e gradual de desumanização do bebê que ainda está no ventre materno, ou seja, o nascituro. 

Desumanizar significa deixar de ver o outro como uma pessoa humana semelhante a nós, com a mesma dignidade e os mesmos direitos. No caso do aborto, isso acontece quando a sociedade deixa de olhar para o nascituro como aquilo que ele realmente é (um ser humano em desenvolvimento) e passa a descrevê-lo apenas por seu tamanho, idade gestacional ou grau de dependência.

Mas como é feita a desumanização? Você talvez já tenha visto algum filme ou novela que trouxesse o drama de uma moça ou mulher, que passou por alguma situação melancólico e grave, engravidou, e pensou em abortar. Assim, aos poucos, a pauta do aborto foi sendo colocada pela mídia de forma sentimental e parcial.

É claro que situações assim sensibilizam as pessoas. Diante de uma cena de sofrimento real ou fictício, a emoção e a empatia envolvidas na situação nos comovem e deixam muitas pessoas em dúvida. Mas podemos, então, nos questionar: se a barriga da mulher fosse transparente, e o bebê lá dentro pudesse ser visto por qualquer pessoa a olho nu, será que o aborto ainda assim seria aceito?

Provavelmente não, justamente porque não haveria dúvidas de que dentro da barriga da mulher há uma vida, um bebê, um ser humano em seus estágios iniciais de desenvolvimento. Hoje é comum ouvirmos termos como “direitos sexuais e reprodutivos” para justificar o aborto, “interrupção voluntária da gravidez” para se referir ao aborto, “produto da concepção” para se referir ao novo ser humano que acabou de ser gerado, “redução embrionária”, que significa eliminar um ou mais embriões em uma gestação múltipla, entre outros. O que acontece aqui é uma manipulação da linguagem, ou seja, uma escolha proposital das palavras a serem usadas, justamente para não deixar claro que ali há, de fato, uma vida humana, um bebê se desenvolvendo. Quanto mais distante a linguagem estiver da realidade concreta para se referir ao bebê, mais fácil se torna discutir o aborto sem pensar naquele que morre. 

Isso fica ainda mais claro quando falamos sobre os abortos realizados em fases avançadas da gestação. Nesses casos, normalmente utiliza-se o procedimento de assistolia fetal, um termo técnico que, em geral, a maioria das pessoas não vai entender o que é. Assistolia significa ausência de atividade cardíaca. Ou seja, para a realização de um aborto em fases avançadas de gestação, coloca-se uma agulha através da barriga da mulher, que chega até o coração do bebê, para administrar alguma substância que faça o coração do bebê parar de bater. Em seguida, a mulher precisa dar à luz esse bebê já sem vida. Isso é muito cruel, mas a manipulação da linguagem impede que as pessoas entendam o que realmente acontece.

Se há, de fato, alguma situação grave que leve a mulher a não querer seu bebê, ela pode ser orientada a destinar a criança à adoção pela Entrega Legal, ao invés de ser incentivada a dar à luz um bebê morto. Este é, definitivamente, um trauma que ela vai carregar para o resto da sua vida. Por isso, os grupos pró vida costumam usar o slogan “salvemos as duas vidas”, afinal de contas, uma tirania cometida contra a mulher não justifica que se cometa uma outra tirania com o nascituro, um ser humano totalmente frágil e indefeso, que não tem culpa de nada. 

Nossa dignidade não vem da autonomia, da força, da saúde ou da capacidade de nos defendermos. Nossa dignidade vem do simples fato de sermos seres criados por Deus e amados por Ele. Por isso, todos nós precisamos ajudar as pessoas a ver o ser humano verdadeiramente: uma pessoa com suas fases de desenvolvimento. A empatia, a humanização e a valorização da vida passam por enxergarmos a humanidade em todas as fases e circunstâncias da vida.

Um grande abraço e até a próxima! 

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