Gaza, novos ataques israelenses: entre as vítimas, mais crianças

0

São pelo menos cinco as vítimas dos últimos ataques israelenses, incluindo duas crianças. Dos campos de refugiados da Faixa de Gaza às tensões na Síria, até o confronto entre Washington e Teerã sobre o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos pressionam para reduzir os ataques israelenses em Gaza e favorecem a reintegração internacional de Damasco, mas aumentam a pressão econômica sobre o Irã

Vatican News

A criança morta no último ataque israelense contra o campo de refugiados de Bureij, no centro da Faixa de Gaza, tinha quatro anos. Sua família não conseguiu deixar a tempo o prédio atingido pelo ataque, após a ordem de evacuação do exército israelense. A mãe e a irmã ficaram feridas. Em Khan Younis, no sul, uma menina de dez anos foi morta por tiros de um tanque. Assim, sobe para quatro o dramático número de vítimas palestinas causado pelas últimas operações israelenses na Faixa, onde novas ordens de evacuação obrigaram famílias e deslocados a abandonar suas casas e abrigos: alguns fugiram carregando as crianças nos braços, outros se deslocaram entre os escombros em cadeiras de rodas ou com a ajuda de bengalas.

Francesco Ielpo, custode di Terra Santa, e Gabriel Romanelli, parroco latino di Gaza, ospiti al Meeting di Rimini

Os últimos ataques a Gaza

Os ataques também atingiram Deir al-Balah e o campo de refugiados de Shati, na Cidade de Gaza. O exército israelense afirma ter atingido depósitos de armas do Hamas localizados dentro de mesquitas e sustenta que as operações são uma resposta às violações do cessar-fogo. No entanto, os ataques continuam, uma semana após o pedido feito pelo enviado dos Estados Unidos, Jared Kushner, ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para que reduzisse os ataques a fim de facilitar o avanço da trégua. De Pequim, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que assuma maiores responsabilidades na proteção dos civis e na assistência humanitária, reiterando ao rei da Jordânia, Abdullah II, que a solução da questão palestina deve seguir a perspectiva de dois Estados. “É preciso apoiar uma solução política. A solução de dois Estados é o caminho certo e é preciso se empenhar para retomar as negociações de paz entre a Palestina e Israel, com o objetivo de estabelecer, o mais ligeiro possível, um Estado palestino independente”, afirmou Xi.

Tensões também na Síria

Mais ao norte, a Síria permanece dividida entre a tentativa de sair do isolamento internacional e uma situação de segurança ainda frágil. A Turquia acolheu com satisfação a decisão dos Estados Unidos de retirar Damasco da lista de países patrocinadores do terrorismo, considerando-a um passo rumo ao fortalecimento das relações da Síria com a comunidade internacional e a uma estabilização duradoura do país. No terreno, porém, Israel continua suas operações além da fronteira. Na segunda-feira, as Forças Armadas de Israel confirmaram um ataque no sudoeste da Síria contra um homem acusado de preparar um ato terrorista. O ministro da Defesa, Israel Katz, também assumiu a autoria do ataque à base aérea de Abu al-Duhur, decidido, segundo Israel, com base em informações sobre um possível destacamento de forças turcas na região. Katz afirmou que Damasco havia sido avisada e que as informações também foram repassadas aos Estados Unidos. A Síria torna-se, assim, um dos pontos onde se cruzam interesses diversos: Washington parece favorecer seu retorno à comunidade internacional, Ancara apoia o novo rumo de Damasco e Israel reivindica liberdade de ação contra o que considera uma ameaça à sua segurança.

O impasse iraniano

O confronto mais difícil para Washington, porém, continua sendo o com o Irã. Esta terça-feira, os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra quase sessenta entidades ligadas a Teerã e ameaçam tomar medidas também contra os países que continuarem a manter relações econômicas com a República Islâmica. A nova ofensiva financeira, batizada de “D-Day” por Trump e pelo ministro do Tesouro, Scott Bessent, ocorre em um momento em que o rial iraniano está em seu nível mais baixo e o Estreito de Ormuz continua no centro do conflito. A Guarda Revolucionária classificou como “fantasiosas” as declarações do presidente Trump sobre o controle estadunidense dessa passagem estratégica. Ainda esta terça-feira, um petroleiro foi atingido por um projétil de origem desconhecida na costa de Omã: o impacto danificou a sala de máquinas e imobilizou a embarcação, sem causar vítimas entre a tripulação. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente passava pelo Estreito de Ormuz, e justamente o controle da navegação no estreito tornou-se uma das principais armas de Teerã contra Washington. No plano diplomático, alguns canais permanecem abertos: a presença do ministro das Relações Exteriores de Omã no Irã, e o Paquistão também está tentando promover a retomada das negociações.

Navios nas proximidades do Estreito de Ormuz, vistos de Musandam

Navios nas proximidades do Estreito de Ormuz, vistos de Musandam

Fonte

Escreva abaixo seu comentário.

Por favor escreva um comentário
Por favor insira o seu nome aqui