São pelo menos cinco as vítimas dos últimos ataques israelenses, incluindo duas crianças. Dos campos de refugiados da Faixa de Gaza às tensões na Síria, até o confronto entre Washington e Teerã sobre o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos pressionam para reduzir os ataques israelenses em Gaza e favorecem a reintegração internacional de Damasco, mas aumentam a pressão econômica sobre o Irã
Vatican News
A criança morta no último ataque israelense contra o campo de refugiados de Bureij, no centro da Faixa de Gaza, tinha quatro anos. Sua família não conseguiu deixar a tempo o prédio atingido pelo ataque, após a ordem de evacuação do exército israelense. A mãe e a irmã ficaram feridas. Em Khan Younis, no sul, uma menina de dez anos foi morta por tiros de um tanque. Assim, sobe para quatro o dramático número de vítimas palestinas causado pelas últimas operações israelenses na Faixa, onde novas ordens de evacuação obrigaram famílias e deslocados a abandonar suas casas e abrigos: alguns fugiram carregando as crianças nos braços, outros se deslocaram entre os escombros em cadeiras de rodas ou com a ajuda de bengalas.
Os últimos ataques a Gaza
Os ataques também atingiram Deir al-Balah e o campo de refugiados de Shati, na Cidade de Gaza. O exército israelense afirma ter atingido depósitos de armas do Hamas localizados dentro de mesquitas e sustenta que as operações são uma resposta às violações do cessar-fogo. No entanto, os ataques continuam, uma semana após o pedido feito pelo enviado dos Estados Unidos, Jared Kushner, ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para que reduzisse os ataques a fim de facilitar o avanço da trégua. De Pequim, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que assuma maiores responsabilidades na proteção dos civis e na assistência humanitária, reiterando ao rei da Jordânia, Abdullah II, que a solução da questão palestina deve seguir a perspectiva de dois Estados. “É preciso apoiar uma solução política. A solução de dois Estados é o caminho certo e é preciso se empenhar para retomar as negociações de paz entre a Palestina e Israel, com o objetivo de estabelecer, o mais ligeiro possível, um Estado palestino independente”, afirmou Xi.
Tensões também na Síria
Mais ao norte, a Síria permanece dividida entre a tentativa de sair do isolamento internacional e uma situação de segurança ainda frágil. A Turquia acolheu com satisfação a decisão dos Estados Unidos de retirar Damasco da lista de países patrocinadores do terrorismo, considerando-a um passo rumo ao fortalecimento das relações da Síria com a comunidade internacional e a uma estabilização duradoura do país. No terreno, porém, Israel continua suas operações além da fronteira. Na segunda-feira, as Forças Armadas de Israel confirmaram um ataque no sudoeste da Síria contra um homem acusado de preparar um ato terrorista. O ministro da Defesa, Israel Katz, também assumiu a autoria do ataque à base aérea de Abu al-Duhur, decidido, segundo Israel, com base em informações sobre um possível destacamento de forças turcas na região. Katz afirmou que Damasco havia sido avisada e que as informações também foram repassadas aos Estados Unidos. A Síria torna-se, assim, um dos pontos onde se cruzam interesses diversos: Washington parece favorecer seu retorno à comunidade internacional, Ancara apoia o novo rumo de Damasco e Israel reivindica liberdade de ação contra o que considera uma ameaça à sua segurança.
O impasse iraniano
O confronto mais difícil para Washington, porém, continua sendo o com o Irã. Esta terça-feira, os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra quase sessenta entidades ligadas a Teerã e ameaçam tomar medidas também contra os países que continuarem a manter relações econômicas com a República Islâmica. A nova ofensiva financeira, batizada de “D-Day” por Trump e pelo ministro do Tesouro, Scott Bessent, ocorre em um momento em que o rial iraniano está em seu nível mais baixo e o Estreito de Ormuz continua no centro do conflito. A Guarda Revolucionária classificou como “fantasiosas” as declarações do presidente Trump sobre o controle estadunidense dessa passagem estratégica. Ainda esta terça-feira, um petroleiro foi atingido por um projétil de origem desconhecida na costa de Omã: o impacto danificou a sala de máquinas e imobilizou a embarcação, sem causar vítimas entre a tripulação. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente passava pelo Estreito de Ormuz, e justamente o controle da navegação no estreito tornou-se uma das principais armas de Teerã contra Washington. No plano diplomático, alguns canais permanecem abertos: a presença do ministro das Relações Exteriores de Omã no Irã, e o Paquistão também está tentando promover a retomada das negociações.


