Pelo menos 5 mortos e 17 feridos após uma série de ataques de milicianos pró-iranianos no sudoeste. Enquanto crescem os temores de uma nova escalada, o país da Península Arábica é um cruzamento de fluxos migratórios: famílias que fogem da guerra e migrantes que chegam do Chifre da África
Vatican News
O balanço de uma série de ataques que atingiram esta terça-feira a cidade iemenita de Taiz, no sudoeste do Iêmen — novamente abalado pelo conflito entre os houthis e as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita —, é de cinco civis mortos e 17 feridos. A Rede Iemenita pelos Direitos e Liberdades informa que entre as vítimas está também uma menina de cinco anos que morreu em consequência de um bombardeio que atingiu a lar de sua família no distrito de Al-Misrakh.
Risco de crise humanitária
Os confrontos na região de Taiz fazem parte de uma ofensiva mais ampla na qual os houthis tentam conquistar a terceira maior cidade do Iêmen, um dos redutos do governo reconhecido pela comunidade internacional. A batalha parece concentrar-se agora justamente na região de Al-Misrakh, ao sul de Taiz. Os houthis conquistaram novas posições na província do sudoeste, enquanto as tropas governamentais, apoiadas pela aviação saudita, tentam conter o avanço. Nos últimos dias, os houthis já obtiveram avanços territoriais com impacto significativo nas conexões: a conquista de Al-Turbah, no último dia 4 de outubro, interrompeu uma das principais rotas de abastecimento entre Taiz e Aden, capital provisória do governo no sul. O acesso oriental à cidade também está bloqueado, o que faz com que mais de um milhão de habitantes corram o risco de ficar isolados e sem ajuda humanitária.
Escalada perigosa
Os confrontos no sudoeste do Iêmen ocorrem em meio ao aumento da tensão na região. A coalizão liderada pela Arábia Saudita anunciou segunda-feira à noite ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado pelos houthis do Iêmen em direção a Riad. Esse episódio ocorre depois que, nos últimos dias, vários ataques dos houthis atingiram o aeroporto internacional da capital saudita, causando um total de 17 mortos e levando ao seu fechamento até 17 de outubro. A resposta saudita não se fez esperar: segundo a agência Efe, pelo menos nove civis, incluindo algumas crianças, morreram segunda-feira em ataques da coalizão liderada por Riad na província de Al-Yauf, no norte do Iêmen.
A posição dos EUA
Nesse contexto delicado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou segunda-feira com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman. “ Os houthis estão agindo de maneira muito inadequada”, declarou Trump, respondendo a perguntas de jornalistas em Washington. “Se os Estados Unidos vierem a se envolver na agressão contra o Iêmen, não perderemos tempo avaliando a decisão de responder: haverá, ao contrário, uma resposta rápida e dolorosa, dirigida contra os EUA e todos os seus interesses na região”, declarou à AFP Mohammed Al Bukhaiti, membro do escritório político dos houthis. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, exortou, por sua vez, todas as partes a “evitar uma nova catástrofe”.
Fluxos de deslocados
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou segunda-feira que — apesar da intensificação da guerra no Iêmen, que forçou mais de 217.000 pessoas a fugir — as chegadas de migrantes ao país da Península Arábica vindos do Chifre da África aumentaram 22% desde o início de 2026 em comparação com o ano anterior inteiro. Até o final de setembro, a organização registrou 134.100 chegadas de migrantes ao Iêmen, contra 110.144 em todo o ano de 2025 e 60.897 em 2024. Isso significa que os números atuais são mais do que o dobro dos registrados nos últimos dois anos, apesar dos perigos que essas viagens acarretam. Pelo menos 139 pessoas a bordo de uma embarcação em condições precárias com destino ao Iêmen morreram nos últimos dias em um naufrágio na costa de Djibuti.
A OIM destacou que o Iêmen está enfrentando dois fluxos migratórios em direções opostas: enquanto famílias iemenitas fogem de suas casas devido aos combates, os migrantes continuam entrando no país com a intenção de atravessá-lo e chegar aos Estados do Golfo em busca de trabalho e melhores oportunidades. As situações de conflito que correm o risco de reacender-se no Chifre da África, paralelamente à escalada da guerra no Iêmen, representam uma mistura explosiva capaz de provocar um aumento dramático desses fluxos cruzados ao longo de uma das rotas migratórias mais perigosas do mundo.

