Líbano em oração com o Papa: “Cansados ​​de todas as guerras, precisamos de paz”

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O padre Youhanna Semaan, monge do Mosteiro de São Charbel em Annaya, relata como o Rosário pela Paz, convocado por Leão XIV para este sábado, 31 de maio, será celebrado no País dos Cedros: “Esperamos milhares de pessoas. Para nós, libaneses, é relevante rezar em meio a crises, bombardeios e pessoas fugindo. A oração abre as mentes do mundo inteiro para ver que as guerras são inúteis; não são nada além de destruição.”

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

Os libaneses estão “cansados”. Cansados ​​de guerras, crises, bombardeios no sul, emigração do sul para o centro e norte; cansados ​​das consequências da explosão no porto de Beirute, da pobreza generalizada e da instabilidade geral.

Os libaneses, no entanto, não estão cansados ​​de rezar, e neste sábado, 30 de maio, todos se unirão em oração com o Papa para recitar o Rosário pela Paz. Leão XIV o fará da Gruta de Lourdes, nos Jardins Vaticanos, em união com diversos santuários marianos ao redor do mundo; o País dos Cedros se reunirá em espírito em um local simbólico de fé: Annaya, no interior da histórica cidade costeira de Biblos, onde surge o Mosteiro de São Charbel, o Santo padroeiro daquela terra, a quem cristãos e muçulmanos recorrem para invocar a paz, o colóquio e a saúde. O próprio Papa Leão XIV ajoelhou-se diante do túmulo do Santo durante sua viagem a Beirute em dezembro de 2025, clamando pela paz para todo o Oriente Médio.

 

Entre a crise e os bombardeios

 

“Rezar pela paz é muito relevante porque precisamos de paz, estamos realmente cansados… As pessoas estão cansadas de todos esses problemas, e há muitas pessoas prestes a deixar o país em busca de refúgio ou para outros lugares do mundo. Isso é algo que não desejaríamos para ninguém”, explicou à Rádio Vaticano o padre Youhanna Semaan, monge de Annaya, patrologista e professor em Jounieh (Líbano), Roma e Londres. Sua voz vem de uma terra dilacerada por bombardeios entre Israel e o Hezbollah; o mais recente no vilarejo de Ain Quana, que matou mais de 30 pessoas. “Há mais destruição, mais imigração, uma situação crítica em várias cidades, pessoas fugindo, sem lugar para dormir, e lotando escolas públicas, sem eletricidade ou água. É um momento terrível”, enfatiza o monge.

Esperadas milhares de pessoas

 

É por isso que os fiéis se apegam às contas de seus Rosários, invocando a ajuda de Deus, a única fonte de esperança. “O Papa começará sua oração às 19h, horário italiano. Como o fuso horário é uma hora adiantado, começaremos às 20h para que possamos rezar o Rosário ao mesmo tempo que o Papa, seguindo suas intenções e, assim, estar em comunhão de oração pelo fim dessas guerras em todo o mundo.”

O encontro terá lugar na Basílica de São Charbel: “Um local maior que pode acomodar um número maior de pessoas do que nossas outras igrejas. Tem um formato circular ecumênico e várias portas para acolher e reunir todas as pessoas que virão rezar com o Santo Padre.” De onde virão? “De todo o Líbano, de todos os lugares”, garante o Pe. Youhanna. Já no dia 22 de cada mês, dia em que se celebra a memória de São Charbel, milhares de fiéis assistem à Missa na Basílica; amanhã “não podemos arriscar um número exato, mas a igreja estará cheia, muito cheia, inclusive com pessoas de fora.”

Fiéis no Mosteiro de São Charbel no Líbano

Fiéis no Mosteiro de São Charbel no Líbano

Em oração também de lar

 

Os sites da Ordem libanesa Maronita, do Mosteiro de São Charbel e todos os canais de mídia social têm promovido amplamente o Rosário papal e transmitirão o evento ao vivo para permitir que “aqueles que não podem comparecer rezem em suas casas”. “Com uma imenso crise econômica e altos preços da gasolina, muitas pessoas não poderão vir, então queremos dar a elas a oportunidade de participar e rezar o Rosário conosco.”

“Pela paz no mundo e no Oriente Médio”

 

Ninguém pode ou deve perder um evento como este, diz o padre Semaan: “Neste momento histórico para o Líbano, a oração com o Papa Leão XIV é muito relevante para nós. Já compartilhamos um momento de oração com Sua Santidade durante sua primeira visita apostólica ao Líbano, aqui mesmo no Mosteiro de São Charbel. Naquele dia, o Papa acendeu uma vela diante do túmulo, e nós o acompanhamos durante aquele bonito momento da visita, cujo lema era ‘Bem-aventurados os pacificadores’.” “Amanhã – continuou o padre – rezemos pelos pacificadores e rezemos pelo que o próprio Papa desejou pedir a São Charbel: paz no mundo e no Oriente Médio, para o nosso país, que está passando por diversos problemas internos e externos: a grave crise econômica que pesa sobre a população, a explosão no porto que destruiu casas e vidas humanas, a guerra em Israel… E, novamente, os muitos imigrantes que fogem do sul do Líbano para o centro e o norte, fugindo da destruição de suas casas, da violência e da invasão no sul.”

Mosteiro de Annaya, ao norte de Beirute, Líbano.

Mosteiro de Annaya, ao norte de Beirute, Líbano.   (AFP or licensors)

A “sede” de pessoas exaustas pelos conflitos

 

Esta oração, repete o Pe. Semaan, “abre as mentes do mundo inteiro para ver o quanto a guerra faz mal, como as guerras são inúteis, não são nada além de destruição. O que é necessário é sentar, conversar, achar soluções, não continuar com a guerra.” O monge libanês fala de uma “sede”: uma “sede de paz” que une o mundo. “Em vários santuários que acompanharão o Rosário, que rezarão pela paz, a sede de pessoas exaustas pelos conflitos será vista.”

O monge libanês espera “que a poderosa oração de São Charbel, que dedicou toda a sua vida como eremita a rezar pelo mundo, que opera milagres para cristãos e muçulmanos, que é um homem de colóquio e acolhimento, se una à do Papa para que o milagre da paz seja alcançado.”

 

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