Mais de 170 crianças palestinas foram mortas desde janeiro de 2024

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A violência contra os menores não se limita aos confrontos armados. O UNICEF documentou casos de crianças atingidas por tiros, espancadas, esfaqueadas ou agredidas com spray de pimenta, além de ataques contra casas, meios de subsistência e infraestruturas de abastecimento de água. Crianças sobreviventes de ferimentos graves podem ficar com deficiências permanentes, enquanto outras enfrentam detenções, deslocamentos forçados, dificuldades para retornar à escola e traumas.

Vatican News

A situação das crianças na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, continua a se deteriorar em meio à escalada da violência de colonos israelenses e à intensificação das operações militares. Segundo dados apresentados pelo UNICEF, entre janeiro de 2024 e o final de julho de 2026, as Nações Unidas constataram a morte de 174 crianças palestinas na região — mais de uma criança por semana. No mesmo período, mais de 1.500 crianças ficaram feridas, quase metade delas atingidas por munição real. Entre as crianças israelenses, três foram mortas e 15 ficaram feridas. Adolescentes representam a maioria das vítimas.

A violência contra os menores não se limita aos confrontos armados. O UNICEF documentou casos de crianças atingidas por tiros, espancadas, esfaqueadas ou agredidas com spray de pimenta, além de ataques contra casas, meios de subsistência e infraestruturas de abastecimento de água. As consequências também são psicológicas e sociais: crianças sobreviventes de ferimentos graves podem ficar com deficiências permanentes, enquanto outras enfrentam detenções, deslocamentos forçados, dificuldades para retornar à escola e traumas decorrentes da exposição à violência, incursões militares e intimidações. Apesar da gravidade das violações, a responsabilização pelos crimes cometidos contra crianças continua sendo extremamente rara.



Uma criança palestina observa a destruição de uma lar após um ataque aéreo israelense na cidade de Deir Al Balah, no sul da Faixa de Gaza, em 13 de março de 2024, em meio aos escombros. Mais de 31.000 palestinos e mais de 1.300 israelenses foram mortos, segundo o Ministério da Saúde palestino e as Forças de Defesa de Israel (IDF), desde que militantes do Hamas lançaram um ataque contra Israel a partir da Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023, e as operações israelenses subsequentes em Gaza e na Cisjordânia. EPA/MOHAMMED SABER   (ANSA)

Violência compromete acesso à educação

 

O acesso à educação também está profundamente comprometido. Mais de 800 mil crianças na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, encontram obstáculos para frequentar a escola de maneira segura e contínua devido ao fechamento de instituições, à insegurança, às restrições de circulação e aos danos causados à infraestrutura.

Somente em 2026, foram registrados 99 incidentes relacionados à educação, incluindo crianças mortas, feridas ou detidas em escolas ou durante o trajeto escolar, demolição de estabelecimentos de ensino e utilização de prédios escolares por forças armadas. Nos últimos dois anos e meio, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), foram impostas mais de 900 novas barreiras e restrições à circulação, dificultando também o acesso a hospitais, água e outros serviços essenciais.

Menores palestinos presos

 

Outro ponto de preocupação é a detenção de menores palestinos. De acordo com o Serviço Penitenciário Israelense, pelo menos 355 crianças palestinas da Cisjordânia estão atualmente detidas em estruturas militares israelenses, o maior número registrado em oito anos. Deste total, 164 estão submetidas à detenção administrativa, sem acusação ou julgamento. Crianças detidas continuam relatando casos de violência, maus-tratos e tratamentos humilhantes e degradantes, além de condições precárias de alimentação e higiene, com relatos de extrema perda de peso e disseminação de doenças como a sarna. Diante desse cenário, o UNICEF pede o fim da detenção administrativa de crianças, o respeito ao direito internacional e a adequação do sistema de justiça militar aos padrões internacionais de proteção dos direitos da criança.

Apelos do UNICEF

 

Embora o UNICEF e seus parceiros continuem prestando assistência emergencial, apoio psicológico, água potável, produtos de higiene, ajuda financeira e suporte para a continuidade dos estudos, a organização ressalta que a ajuda humanitária apenas reduz as consequências da crise e não elimina suas causas. Por isso, faz quatro apelos urgentes: proteger as crianças e garantir o respeito ao direito internacional; impedir o deslocamento forçado de famílias palestinas; assegurar o acesso seguro à educação, à saúde e a outros serviços essenciais; e proteger as operações humanitárias. Para o UNICEF, as crianças da Cisjordânia têm os mesmos direitos que todas as crianças do mundo: viver, aprender, ser protegidas e poder imaginar um porvir livre da violência e do medo.

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