Entre lágrimas e esperança, a Arquidiocese de Nampula (norte de Moçambique), despediu-se, este sábado (13/06), de Dom Osório Citora Afonso, numa celebração marcada pela emoção, homenagens e apelos à paz. Durante a Missa de corpo presente, familiares, missionários da Consolata, autoridades e fiéis recordaram o legado de um pastor que dedicou a vida ao anúncio do Evangelho e ao serviço do povo moçambicano.
Cremildo Alexandre – Nampula
A Sé Catedral de Nossa Senhora de Fátima, em Nampula, acolheu milhares de fiéis para a última despedida de Dom Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane, Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira.
A celebração contou com a presença de arcebispos e bispos da Conferência Episcopal de Moçambique, sacerdotes, religiosas, missionários da Consolata, seminaristas, leigos e milhares de fiéis provenientes de várias dioceses do país. Participaram igualmente o Presidente da República, Daniel Chapo, acompanhado da Primeira-Dama, Gueta Chapo, a Presidente da Assembleia da República, deputados, membros do Governo, autoridades provinciais e locais, representantes de diferentes confissões religiosas e diversas personalidades da sociedade civil, que se uniram à Igreja Católica para prestar a última homenagem a Dom Osório Citora Afonso.
Na homilia, Dom Inácio Saúre, Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique e Arcebispo de Nampula, condenou a violência que continua a ceifar vidas no país e afirmou que o assassinato de Dom Osório se inscreve numa preocupante onda de crimes que atinge homens e mulheres de paz.
O prelado recordou o falecido bispo como um missionário fiel ao Evangelho, que viveu o seu lema episcopal — “A tua Palavra, Senhor, será luz dos meus pés” — e entregou a vida ao serviço da Igreja até ao último momento.
Em nome dos familiares, foi recordado o trajeto de vida de um homem marcado pela humildade, simplicidade, felicidade e espírito missionário.
A família afirmou que a perda deixou uma ferida profunda, mas sublinhou que a fé cristã fortalece a esperança no reencontro definitivo com Deus.
Também os Missionários da Consolata, congregação à qual Dom Osório pertencia, prestaram homenagem ao confrade. Na mensagem lida durante as exéquias, o Instituto destacou o espírito de família, a felicidade, a simplicidade e a capacidade de servir que caracterizavam o falecido bispo.
Os missionários recordaram Dom Osório como um pastor apaixonado pela Palavra de Deus, comprometido com a paz, a reconciliação e a missão evangelizadora.
A Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, Catedral de Nampula, também manifestou a sua gratidão pela vida e missão do prelado, considerando-o um dos filhos mais ilustres da cidade de Nampula, onde nasceu a sua vocação sacerdotal e missionária.
Por sua vez, o Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula, afirmou que a morte de Dom Osório representa uma perda para toda a nação moçambicana. Destacou a simplicidade, proximidade e dedicação do bispo às comunidades, afirmando que o seu testemunho permanecerá vivo entre os moçambicanos.
O governante acrescentou que, apesar da dor causada pelas circunstâncias da morte, o legado de fé, serviço e amor ao próximo deixado por Dom Osório continuará a inspirar a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.
No final da celebração, o corpo de Dom Osório Citora foi conduzido ao Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum, onde foi sepultado sob fortes aplausos, lágrimas e orações dos fiéis.


