Leão XIV recebeu em audiência representantes da Associação dos Leigos Funcionários do Vaticano e da Associação das Mulheres no Vaticano e exortou, na era da IA, a manter o foco na centralidade da pessoa humana e na dignidade do trabalho. O Pontífice também convidou a seguir o “caminho do colóquio” para construir “uma comunidade de trabalho onde as pessoas não sejam usadas e ignoradas”, onde “se ajudem mutuamente”, evitando “gerar insatisfações e rancores”.
Salvatore Cernuzio – Vatican News
O colóquio é a chave para achar soluções adequadas para os problemas. A dignidade humana e a dignidade do trabalho são o centro de cada palavra e ação, especialmente numa época de avanços tecnológicos e desenvolvimentos da Inteligência Artificial. As mulheres, uma “riqueza” a ser reconhecida e valorizada cada vez mais pela sua “competência, capacidade de discernimento, criatividade e concretude”. Leão XIV ofereceu diretrizes para a construção de uma comunidade de trabalho saudável na Cidade do Vaticano, baseada no respeito, na igualdade e na ajuda recíproca, livre de conflitos, insatisfações e rancores. O Papa recebeu em audiência, nesta segunda-feira (05/10), duas realidades dinâmicas dentro do menor Estado do mundo: a Associação dos Leigos Funcionários do Vaticano, órgão de representação dos trabalhadores, e a Associação de Mulheres no Vaticano, primeira organização inteiramente feminina, fundada em 2016.
O Pontífice agradeceu primeiramente aos membros por sua “dedicação e espírito de serviço” nos diversos organismos da Sé Apostólica. Em seguida, recomendou, diante dos desafios atuais — “em particular, os desenvolvimentos na área da Inteligência Artificial” — “manter a atenção na centralidade insubstituível da pessoa humana e na dignidade inalienável do trabalho”, que, afirmou ele, “não é um mero instrumento, mas expressa e aumenta a dignidade de nossa vida”.
A contribuição das mulheres
Para uma melhor qualidade do ambiente de trabalho e do próprio trabalho, o Papa enfatizou a contribuição que as mulheres podem dar para “fazer crescer o estilo de colaboração, de escuta recíproca e de atenção às situações difíceis”.
A presença das mulheres é uma riqueza que deve ser reconhecida e valorizada cada vez mais. Elas trazem, além de uma sensibilidade particular para com as pessoas e as relações, os talentos humanos, profissionais e intelectuais inerentes à experiência e ao pensamento feminino.
“Sua competência, capacidade de discernimento, criatividade e concretude”, enfatizou o Papa, “enriquecem a vida das instituições e contribuem para uma perspectiva mais ampla sobre a realidade e os problemas que se encontram”.
Comunidade e unidade
“Com igual dignidade, todos contribuem, cada um em seu papel e com seu compromisso profissional, para a mesma missão”, acrescentou Leão XIV. E essa consciência e responsabilidade se manifestam, antes de tudo, “na fidelidade escrupulosa a todas as tarefas e deveres atribuídos”, bem como “no zelo, na diligência e profissionalismo que devem caracterizar todos aqueles que participam das atividades da mesma Sé Apostólica”.
De fato, o Papa Leão XIV insistiu, citando os ensinamentos de seus predecessores, que quem trabalha na Sé Apostólica deve ter em mente “dois conceitos de valor fundamental: o de comunidade e o de unidade”.
Todos aqueles que, a título e com funções diferentes, são chamados a colaborar com seu trabalho no ministério do Papa, constituem uma comunidade eclesial, participante, em espírito de fé e unidade, da única e universal missão que o Senhor Jesus confiou ao Apóstolo Pedro e aos seus sucessores.
O caminho do colóquio, a “via principal”
Leão XIV citou, nesse sentido, São João Paulo II, quando reconheceu a valiosa colaboração com a Associação dos Leigos Funcionários do Vaticano “para promover esse espírito”. Ao mesmo tempo, Wojtyla esclarecia que “não está de acordo com a Doutrina Social da Igreja que esse tipo de organização se desvie para o terreno do conflito ou da luta”.
“O caminho do colóquio” é, na verdade, “a estrada principal” pela qual Leão XIV exortou a Associação dos Leigos Funcionários do Vaticano e a Associação de Mulheres no Vaticano a “caminharem sempre, com confiança e criatividade, na busca comum de soluções adequadas para os problemas que devemos enfrentar juntos e na construção diária de nossa comunidade de trabalho”.
Reconhecer o valor e a competência
“Relançar o colóquio em todos os níveis” é a mensagem sempre reiterada pelo Pontífice estadunidense, inclusive na encíclica Magnifica humanitas, como “parte integrante da vocação da Igreja”, “principal instrumento da convivência entre as pessoas” e “o caminho comum para enfrentar os conflitos”. “Relançar o colóquio” é, portanto, o mandato que o Papa confiou à Associação de Mulheres no Vaticano e à Associação de Leigos Funcionários do Vaticano, definidas pelo próprio Quadro Normativo como uma “estrutura de colóquio”.
Percorrendo juntos esse caminho, nos comprometemos a construir, cada vez mais, uma comunidade de trabalho onde as pessoas não sejam usadas e ignoradas, onde se ajudem mutuamente, onde o valor e a competência de cada um sejam reconhecidos, evitando gerar insatisfações e rancores.

