Leão XIV reuniu-se com os participantes do Encontro “Fratelli tutti: colóquio socioambiental Norte-Sul”, realizado em Roma, e destacou a responsabilidade compartilhada diante dos desafios sociais, econômicos e tecnológicos. Em seu discurso, o Pontífice recordou que as decisões devem respeitar a dignidade humana e considerar, especialmente, aqueles que têm menos poder para se proteger.
Thulio Fonseca – Vatican News
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, na manhã deste sábado (12/09), os participantes do Encontro “Fratelli tutti: colóquio socioambiental Norte-Sul”, promovido pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) e pela Pontifícia Comissão para a América Latina.
Realizado em Roma, o encontro reuniu cerca de 60 representantes de organismos eclesiais, instituições internacionais, bancos regionais de cooperação, empresas, sindicatos, fundações, universidades e organizações sociais. Entre os participantes estavam os brasileiros cardeal Jaime Spengler e cardeal Leonardo Steiner.
Responsabilidade compartilhada
Em seu discurso, proferido em espanhol e inglês, o Santo Padre valorizou a continuidade do caminho de colóquio socioambiental Norte-Sul, desenvolvido há cinco anos, e ressaltou a importância da cooperação entre diferentes setores da sociedade. Segundo o Papa, os grandes desafios atuais ultrapassam as possibilidades de qualquer instituição isolada e exigem participação, colaboração e responsabilidade compartilhada.
Leão XIV também advertiu que as diferenças legítimas não devem conduzir à fragmentação. A experiência sinodal da Igreja, afirmou, ensina que escutar as divergências não significa eliminá-las, mas discernir, a partir delas, aquilo que pode servir ao bem de todos. Para os fiéis, acrescentou, a fraternidade encontra seu fundamento na certeza de que todos têm um mesmo Pai.
“Não tenham medo”
Diante das tensões e dos interesses contrapostos que podem surgir no colóquio, o Papa dirigiu aos participantes uma exortação:
Nesse caminho, Leão XIV indicou a Doutrina Social da Igreja como um instrumento de discernimento:
O impacto sobre os mais frágeis
O Papa explicou que “o valor dos pontos de consenso que puderem ser alcançados não será medido apenas pelo número de pessoas que os apoiam. Eles serão reconhecidos pelos interesses que forem capazes de proteger e, em particular, pelo impacto que tiverem na vida daqueles que dispõem de menos poder para se proteger.” A justiça social, prosseguiu, oferece um critério decisivo para reconhecer se um modelo de desenvolvimento está verdadeiramente a serviço da pessoa: “Uma ordem social, econômica e política pode verdadeiramente ser chamada de humana quando permite que todos — ‘particularmente os mais frágeis — vivam uma vida verdadeiramente digna, sem deixar ninguém para trás’ (MH, 77).”
Reconstruir o que desabou
Na parte final do discurso, Leão XIV recordou a figura bíblica de Neemias, que, diante de Jerusalém em ruínas, escutou o sofrimento do povo, discerniu o que deveria ser feito, buscou os recursos necessários e organizou um projeto realizado com a participação de muitas pessoas. O Papa convidou os participantes a ingressar nos “canteiros de obras da história”, como os laboratórios de pesquisa, as empresas de tecnologia, as escolas, os meios de comunicação, as instituições e as comunidades locais. Também os encorajou a promover uma saudável “cultura da negociação”, capaz de colocar o bem comum acima dos interesses particulares e contribuir para a diplomacia da paz. E concluiu:
“Neemias não reconstruiu Jerusalém sozinho. Ele convocou seu povo, e cada pessoa trabalhou na parte cuja construção estava sob sua responsabilidade. Cabe agora a vocês reconhecer qual parte desse trabalho compartilhado lhes foi confiada. Que o progresso do nosso tempo não deixe novas ruínas em seu caminho e que tudo o que construirmos seja verdadeiramente uma lar e um refúgio para todos, a começar pelos mais necessitados.”


