Continuam nesta quinta-feira (23/04), os trabalhos da 62ª Assembleia Geral da CNBB que se encerram nesta sexta-feira, em Aparecida. As Diretrizes da Ação Evangelizadora serão votadas.
Silvonei José – Vatican News – Aparecida
Continuam os trabalhos da 62ª Assembleia Geral da CNBB. Muitos os temas em discussão, mas o foco central são as Diretrizes da Ação Evangelizadora, que serão votadas nesta sexta. O episcopado brasileiro reunido no Santuário Nacional de Aparecida, além do tema central refletem sobre temáticas voltadas à sinodalidade, liturgia, além de mensagem que serão divulgadas nos próximos dias.
200 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé
Foi realizado na tarde desta quarta-feira (22/04), no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida a sessão solene para recordar os 200 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. O Brasil e a Santa Sé iniciaram suas relações diplomáticas em 23 de janeiro de 1826, quando o papa Leão XII recebeu as cartas credenciais de monsenhor Francisco Corrêa Vidigal, que havia sido enviado a Roma pelo Imperador Pedro I para efetuar gestões em favor do reconhecimento da independência, proclamada em 1822.
Dentro das comemorações desse bicentenário, foram realizadas no Brasil e em Roma muitos eventos com a participação de representantes do governo brasileiro, da Igreja do Brasil e da Santa Sé.
O Vaticano incluiu o bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil, celebrado em 2026, entre as datas comemorativas oficiais que recebem destaque em sua programação institucional. Estabelecidas em 1826, poucos anos após a Independência do Brasil, essas relações figuram entre as mais antigas mantidas pelo Estado brasileiro com outras nações.
A programação comemorativa teve como momento central a missa solene do dia 23 de janeiro, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, presidida pelo Secretário de Estado da Santa Sé, Pietro Parolin, mas se estende ao longo do ano com diversas atividades.
Celebração ecumênica
Já na manhã da terça-feira, 21 de abril, um momento especial: a celebração ecumênica marcada pela presença de representantes de diferentes tradições cristãs. A iniciativa foi promovida pela Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o colóquio Inter-religioso da CNBB, presidida por dom Rodolfo Weber.
Participaram integrantes da Igreja Ortodoxa Antioquina, Igreja Ortodoxa Russa do Patriarcado de Moscou, Igreja Evangélica Luterana do Brasil, Igreja Metodista, Assembleia de Deus, Assembleia de Deus – Ministério Madureira, Igreja Presbiteriana Unida, Aliança Batista do Brasil, CONIC, entre outros grupos e movimentos.
Ao acolher os participantes, dom Rodolfo Weber destacou a importância da presença das diferentes igrejas e comunidades cristãs. “Em nome da CNBB desejo novamente dar as boas-vindas a vocês irmãos cristãos que vieram participar dessa celebração ecumênica”, afirmou.
A celebração teve início com procissão e canto de entrada, seguida pela invocação, o hino da luz e o acendimento do Círio Pascal. Também fizeram parte do rito a litania, a oração, a partilha da paz e a proclamação das Escrituras, com a leitura da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 4,1-13) e do Evangelho de João (Jo 12,31-36).
O tema escolhido para este ano foi “Luz da Luz para a Luz”, ressaltando a necessidade de uma Igreja capaz de irradiar esperança e consolo em meio aos desafios do mundo atual. Durante a celebração, velas acesas a partir do Círio Pascal foram distribuídas aos participantes, simbolizando a propagação da luz de Cristo por toda a Assembleia.
Na homilia, o bispo Nareg Berberian, da Igreja Apostólica Armênia, refletiu sobre a presença de Cristo como luz em meio às dores, conflitos e incertezas da humanidade. Segundo ele, Jesus “entra na nossa realidade, nas nossas preocupações, nas nossas divisões e dificuldades” e convida os cristãos a continuarem caminhando mesmo diante do sofrimento.
O bispo destacou ainda que a luz de Cristo não elimina automaticamente toda escuridão, mas oferece direção, misericórdia, paz e esperança. Em sua reflexão, lembrou que o mundo vive tempos marcados por guerras, violência, medo e injustiças, e afirmou que é justamente nesse contexto que a luz de Cristo se torna ainda mais necessária.
Ao final da celebração, dom Rodolfo Weber avaliou o encontro como um momento de bênção para a Conferência e para toda a Igreja. Segundo ele, a paz é um desejo humano, mas também uma vontade de Deus.
“O nosso fundamento todo está em Cristo. Ele é a base, o fundamento de tudo. A paz é possível, a paz é um desejo humano, a paz é vontade de Deus”, afirmou.
Para dom Rodolfo, a diversidade de igrejas e expressões religiosas presentes na celebração mostra que é possível construir convergências a partir daquilo que une os cristãos: a fé em Cristo e o compromisso com a paz.
Também presente à celebração, dom Zanoni Demettino Castro ressaltou que o encontro ecumênico representa um dos momentos mais significativos da Assembleia Geral da CNBB. Ele lembrou que, apesar das diferenças e da pluralidade das tradições cristãs, todos são chamados a buscar a paz e o colóquio.
“Não haverá paz no mundo se não houver colóquio e paz entre as religiões”, afirmou o arcebispo.
Falando de paz e do drama que vive o Líbano e como a comumidade libanesa no Brasil segue a situação nós conversamos com bispo maronita do Brasil, dom Edgard Madi…
A recordação da Laudato sì e do Papa Francisco
Na última terça-feira, dia 21 de abril, dia em que se recordou o primeiro ano de falecimento do Papa Francisco, os bispos do Brasil reunidos em Aparecida celebraram a Missa pelo Cuidado da Criação. Na celebração presidida pelo arcebispo de São Luís do Maranhão (MA), dom Gilberto Pastana de Oliveira, e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, foi utilizado pela primeira vez o formulário litúrgico aprovado pelo episcopado brasileiro para este momento.
A Missa pelo Cuidado com a Criação celebrada no Santuário Nacional de Aparecida recordou os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Lançado em 2015, o documento trata do cuidado com a criação. Na procissão de entrada foram levados ao altar central porções da água dos principais rios do Brasil, terra das cinco regiões do país e sementes dos 19 regionais da CNBB.
Em sua homilia, dom Pastana recordou que a Igreja eleva sua oração e também trabalha pelo cuidado com a criação, mesmo diante da dureza do coração. “Quantas vezes, nos dias de hoje, nós resistimos: resistimos quando sabemos o que é certo, mas não mudamos; resistimos quando ouvimos o clamor da criação, mas seguimos indiferentes; resistimos quando Deus nos chama, mas preferimos seguir no mesmo caminho. A dureza do coração não fere apenas a fé, ela fere também a criação”.
Durante a reflexão, o arcebispo de São Luís do Maranhão lembrou dos rios poluídos, florestas devastadas e do clima em desequilíbrio. “Como nos recorda a Laudato Si’, tudo está interligado. Não existem duas crises separadas: uma ambiental e outra social. Existe uma e complexa crise socioambiental. Por isso, cuidar da criação não é algo secundário, não é moda, mas é evangélico, é justiça e fidelidade a Deus”, recordou dom Pastana.
Crise socioambiental e necessidade de contemplar a criação
Ele ainda recordou as diferentes faces desta crise e concluiu que somente em Cristo é possível buscar soluções para o cuidado com a lar Comum e com os mais pobres. “O mundo de hoje tem fome, mas não apenas fome de pão. Tem fome de sentido, de cuidado, de fraternidade, de Deus. E, muitas vezes, tentamos saciar esta fome com consumo, com acúmulo e com a lógica do descarte, mas nada disso preenche o coração humano. Somente Cristo sacia e quem se alimenta Dele aprende a viver de modo novo, aprende que viver não é possuir, mas cuidar”, concluiu.
Dom Pastana ainda lembrou que é necessário recuperar o exercício da contemplação. “Precisamos recuperar a capacidade de nos fascinar com a criação, reconhecendo que tudo é dom de Deus, que tudo é graça Dele”. O presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia refletiu o caminho do Magistério do Papa Francisco e a caminhada do Papa Leão XIV na defesa dos mais necessitados e na construção da paz.
A Missa pelo Cuidado da Criação foi concluída com a consagração a Nossa Senhora Aparecida feita pelo arcebispo de Manaus e membro da Comissão Episcopal para a Amazônia, dom Leonardo Cardeal Steiner.
Com informações e fotos CNBB


