Perguntas, orações, trabalhos em grupo: o Consistório do Papa com os cardeais

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No fim de semana, próximo à Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, será realizada a segunda reunião de Leão XIV, após a de janeiro, com os membros do Colégio Cardinalício para discutir, refletir e aprofundar temas sobre a atualidade da Igreja e do mundo. Os cardeais, divididos em 20 grupos, trabalharão segundo a metodologia “sinodal” em quatro sessões dedicadas a quatro temas. Foi-lhes solicitada a máxima “confidencialidade” sobre os trabalhos, a fim de preservar um clima de colóquio fraterno.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

“De que maneira as tensões, as divisões e os conflitos que assolam o mundo afetam hoje a vida de nossas Igrejas e de nossos povos?”. “Que linguagens, atitudes e práticas podem ajudar a construir a reconciliação, a convivência e a paz?”. Essas são duas das diversas questões sobre as quais refletirão e discutirão os cardeais convidados pelo Papa para o Consistório extraordinário que será realizado nos dias 26 e 27 de junho. É o segundo Consistório convocado por Leão XIV, após o realizado em janeiro passado, que reuniu no Vaticano 170 cardeais eleitores e não eleitores de todas as partes do mundo, aos quais o próprio Pontífice havia dito: “sinto, experimento a necessidade de poder contar com vocês”. Justamente ao final daquela reunião, Leão XIV anunciou o encontro de junho, próximo à solenidade dos Santos Pedro e Paulo, durante o qual os membros do colégio cardinalício voltarão a aprofundar os temas antecipados em uma carta aos cardeais pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício: situação internacional, paz e superação da teoria da “guerra justa”, a encíclica “Magnifica humanitas” e a implementação do Sínodo.

Manter a confidencialidade

De acordo com a programação e as informações divulgadas pela Sala de Imprensa da Santa Sé no início da noite desta segunda-feira (22/06), os trabalhos serão divididos em quatro sessões, estruturadas segundo o esquema “sinodal” já utilizado, que inclui discussões, orações, momentos de silêncio, reflexões pessoais e compartilhadas em momentos de plenário. Não está prevista a presença da imprensa durante os trabalhos e, assim como já ocorreu no primeiro Consistório de janeiro (e, antes mesmo disso, também na dupla sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade), solicita-se aos cardeais que mantenham “confidencialidade” sobre o que ocorre na sala e que “não prestem declarações à imprensa durante o andamento do Consistório”, a fim de “preservar um clima de colóquio fraterno”.



Consistório de janeiro   (@Vatican Media)

Divisão em 20 grupos

Os participantes serão divididos em dois conjuntos: um com 9 grupos de cardeais eleitores ordinários (incluindo núncios e cardeais eleitores que concluíram seu serviço como ordinários) e outro com 11 grupos de cardeais eleitores da Cúria Romana e cardeais não eleitores. Cada grupo terá um presidente, encarregado de moderar os trabalhos e garantir o cumprimento dos prazos, e um secretário, responsável pela coleta das contribuições apresentadas e pela elaboração do relatório final com a colaboração de todo o grupo.

Primeira sessão

Mais especificamente, será a missa presidida pelo Papa na Basílica de São Pedro, às 7h30 (hora de Roma) da sexta-feira, 26 de junho, que dará início ao evento, o qual entrará em pleno andamento às 9h30, quando os participantes se deslocarão para a Sala Paulo VI para a introdução e a primeira sessão, prevista até às 12h45. Ao cardeal Re cabe – após o canto do “Veni Creator Spiritus” – proferir o discurso de abertura, que será seguido por uma intervenção introdutória do Papa. Em seguida, serão apresentados aos cardeais o encontro e as modalidades de trabalho. A primeira sessão partirá de uma pergunta: “Em que mundo somos chamados a anunciar o Evangelho?”. O cardeal polonês Grzegorz Ryś, arcebispo metropolitano de Cracóvia, fará às 10h uma meditação bíblica sobre o tema, seguida de alguns momentos de silêncio e oração pessoal. Às 10h30, haverá a primeira troca de ideias em grupos, a partir de duas perguntas: “Quais sofrimentos, tensões e questionamentos afetam hoje com maior intensidade os povos e as comunidades eclesiais confiadas aos seus cuidados? Quais sinais de esperança, de fidelidade ao Evangelho e de possível reconciliação é relevante trazer para a reflexão de todos?”.

Intervenções, escuta, restituição

Cada grupo identifica o momento mais oportuno para uma pausa e, às 12h, ocorrerá a chamada “restituição” (apresentação dos resultados) em plenário. Todos os grupos enviam por e-mail sua contribuição, enquanto os grupos dos ordinários e alguns dos outros grupos apresentam seu relatório na Sala. Os trabalhos em grupo serão, por sua vez, divididos em três fases, com um breve momento de silêncio entre uma fase e outra. A primeira fase é a das falas individuais, na qual cada participante falará por no máximo 3 minutos, respondendo às perguntas indicadas no programa. A partir daí, segue-se a escuta compartilhada: cada um intervém novamente por no máximo 2 minutos. Não serão apresentadas novas propostas, mas serão destacados os pontos mais significativos que surgiram da escuta anterior. Na terceira fase, será elaborado o relatório; uma tarefa a cargo do secretário, com a ajuda de todos os membros, para reunir os resultados do debate e proceder à redação do relatório final. Essa metodologia será seguida em todas as quatro sessões.

Consistório de janeiro

Consistório de janeiro   (@Vatican Media)

Segunda sessão

Voltando à programação, na tarde do dia 26 de junho, das 16h às 19h30, ocorrerá a segunda sessão, novamente na Sala Paulo VI. “A cultura do poder e a civilização do amor” é o fio condutor dos trabalhos da tarde, que serão abertos, como de costumes, com uma oração e uma introdução sobre o tema a cargo do cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, que terá como base o capítulo V da encíclica do Papa Leão XIII, “Magnifica humanitas”.

Mais trabalhos em grupo, às 16h20, com foco em outras questões sobre a atualidade da Igreja e do mundo. Pausa, seguida de plenária e, em seguida, apresentação pelos grupos, com a adição — nesta segunda sessão — de intervenções livres sobre o tema da sessão.

Terceira sessão

Passamos, então, ao sábado, 27 de junho, com a missa matinal às 7h30 na Basílica de São Pedro, presidida pelo cardeal decano Re. Os trabalhos serão retomados na Sala Paulo VI com a terceira sessão sobre “Construir no bem: os canteiros do nosso tempo”. O tema será apresentado pelo cardeal Stephen Brislin, arcebispo metropolitano de Joanesburgo e presidente da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral, que também baseará sua intervenção na “Magnifica humanitas”, especialmente nas partes introdutórias e conclusivas.

A partir das 9h50, haverá trabalhos em grupos, com foco nas seguintes questões: “Quais são hoje, em seus contextos, as divisões que tornam mais difícil construir o bem comum? Quais expectativas e quais perguntas emergem das pessoas e dos povos que a Igreja é chamada a ouvir e que talvez não estejamos ouvindo o suficiente? Que apoios, orientações ou iniciativas das Igrejas locais e da Igreja universal poderiam ajudar de forma mais eficaz o empenho na construção do bem comum?”. A sessão plenária está marcada para as 11h30, durante a qual os grupos dos ordinários e alguns outros grupos apresentarão seus relatórios. Em seguida, haverá intervenções livres sobre o tema.

Quarta sessão (e o jantar de encerramento com o Papa)

A quarta e última sessão terá início às 16h e terminará às 19h30. O local será diferente, a Nova Sala do Sínodo, e o tema será “O caminho de implementação do Sínodo”. O cardeal secretário do Sínodo, Mario Grech, fará a introdução com base no documento apresentado em maio passado, intitulado “Rumo às Assembleias Sinodais 2027-2028”. Etapas, critérios e instrumentos para a preparação. O programa divulgado pela Imprensa prevê um momento de “perguntas para esclarecimento” sobre o tema.

Às 17h30, haverá um colóquio com o Papa, seguido por intervenções livres com duração máxima de 3 minutos. O discurso de encerramento de Leão XIV encerrará todo o Consistório, selado por um jantar com o Papa às 19h45, na Sala Paulo VI. Por fim, no dia 29 de junho, na Basílica de São Pedro, às 9h30, será celebrada a Missa na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

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