Exposição no Convento São Francisco apresenta diferentes títulos e representações de Nossa Senhora.
Frei Gustavo Wayand Medella
A devoção mariana presente em diferentes culturas, épocas e tradições é o tema da exposição “Maria: a quem muito amamos, damos muitos títulos”, aberta ao público no Convento São Francisco, no centro de São Paulo (SP). A mostra reúne mais de 50 imagens e representações da Virgem Maria, revelando como os diversos títulos marianos expressam a relação de fé e proximidade com a Mãe de Jesus.
Organizada pelo Frei Estêvão Ottenbreit, a exposição nasceu a partir de uma percepção comum na religiosidade popular: muitas pessoas acreditam que cada invocação corresponde a “uma outra Nossa Senhora”. A proposta da mostra é justamente expor a unidade presente nas diferentes devoções marianas.
“Muita gente acaba pensando que Nossa Senhora de Lourdes é uma, Nossa Senhora de Fátima é outra, Nossa Senhora Aparecida é outra. A ideia da exposição é justamente ajudar as pessoas a perceberem que se trata da mesma Maria, invocada de diferentes formas pelo povo”, explica Frei Estêvão. As peças pertencem ao acervo histórico da Província Franciscana e foram reunidas ao longo de anos de viagens missionárias e atividades pastorais.
Uma mãe com muitos rostos
Para explicar por que Maria recebe tantos nomes e invocações, Frei Estêvão utiliza um exemplo próximo da experiência humana: a figura materna. “A nossa própria mãe assume muitos papéis na vida da gente. Ela é protetora, conselheira, consoladora, cuidadora, entre outros tantos. Com Maria acontece algo semelhante: o povo recorre a ela nas mais diferentes situações da vida e, a partir disso, surgem os diversos títulos”, afirma.
É justamente dessa relação afetiva que nascem muitos títulos marianos. Alguns fazem referência ao lugar onde Maria é venerada, como Fátima, Lourdes, Guadalupe ou Luján, enquanto outros expressam experiências e situações adversas vividas pelo povo.
“As pessoas recorrem a Maria em momentos de doença, tristeza, insegurança, dificuldades familiares, necessidade de trabalho. Muitas vezes, o título nasce exatamente dessa experiência de fé e daquilo que o povo mais necessita”, resume.
A presença de Maria nas culturas populares
A exposição também revela como diferentes culturas representam Maria conforme suas próprias características e sensibilidades. Uma das imagens retrata Nossa Senhora junto aos povos indígenas da Amazônia. Outra chama atenção por expor uma versão alada da Imaculada Conceição, inspirada numa tradição do Equador.
“Lá, diziam que, se ela era santa, precisava ter asas para voar. É bonito perceber como cada cultura expressa sua devoção de maneira própria. O afeto a Nossa Senhora está presente praticamente em todos os lugares. Onde o povo está, Maria também está presente na fé e na devoção”, complementa o Frei.
Entre os destaques da exposição estão também representações ligadas às maiores romarias do Brasil, como Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora da Penha, além de imagens históricas utilizadas em catequeses há mais de 120 anos e uma rara imagem de Maria grávida. “Muita gente estranha, mas ela recorda algo muito humano e natural: Maria, para se tornar mãe, também viveu a experiência da gestação”, comenta.
Na mostra também se encontra uma imagem da Imaculada Conceição na tradição franciscana, considerada padroeira da Ordem dos Frades Menores desde 1761, por decreto do Papa Clemente XIII. Nela, a figura de Maria é retratada sustentando o Menino Jesus, ressaltando sua missão de expor Cristo ao mundo.
A exposição “Maria: a quem muito amamos, damos muitos títulos” permanece aberta até o dia 31 de agosto, no Convento São Francisco, localizado no Largo São Francisco, 133, no centro de São Paulo. A visitação é gratuita e pode ser realizada de segunda a sábado, das 7h às 19h, e aos domingos, das 7h às 14h.


