Vice Procuradora Geral alerta que a corrupção trava o desenvolvimento no País

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A corrupção continua a bloquear o desenvolvimento e a igualdade na Guiné-Bissau, alertou esta terça-feira (14/04), em Bissau, a vice-Procuradora-Geral da República, Manuela Lopes, na abertura da Conferência Nacional sobre a Corrupção, promovida pela Rede dos Defensores dos Direitos Humanos sob o lema “Do Discurso à Ação”.

Por Casimiro Jorge Cajucam – RSM, Bissau

A vice-Procuradora-Geral da República, Manuela Lopes, afirmou esta terça-feira, em Bissau, que a corrupção permanece como um dos principais entraves ao desenvolvimento e à distribuição justa de rendimentos na Guiné-Bissau.

‎A declaração foi feita na abertura da Conferência Nacional sobre a Corrupção, organizada pela Rede dos Defensores dos Direitos Humanos, sob o lema “Do Discurso à Ação”. Na ocasião, a magistrada sublinhou que o fenómeno tem impacto profundo na economia, na política e na sociedade, desviando recursos que deveriam beneficiar a população para interesses restritos.

‎Segundo Manuela Lopes, a corrupção é um problema transversal e persistente, muitas vezes tolerado, inclusive de forma inconsciente. Destacou ainda que os casos envolvendo figuras públicas tendem a agravar a desconfiança dos cidadãos nas instituições, especialmente no sistema judicial.

‎“A corrupção deve ser encarada como um fenómeno complexo e ubíquo, que exige o engajamento de toda a sociedade”, defendeu.

‎Por sua vez, o coordenador da Rede dos Defensores dos Direitos Humanos da Guiné-Bissau, Vitorino Indequi, apelou à aplicação efetiva do princípio de tolerância zero contra a corrupção. Para o responsável, não basta o discurso político, “é necessária ação concreta por parte das instituições”.

‎Indequi destacou o papel do Ministério Público na metamorfose de denúncias em processos, investigações e condenações, como forma de tornar o combate à corrupção uma realidade tangível para os cidadãos.

‎ Vitorino Indequi desafiou ainda a sociedade civil a assumir um papel ativo na promoção da transparência, através da denúncia de práticas ilícitas, da exigência de prestação de contas e do apoio às instituições de justiça.



Participantes na Conferência nacional sobre a corrupção

Entretanto, numa entrevista à Rádio Jovem, à margem da conferência, o presidente da Célula Nacional de Tratamento de Informações Financeiras da Guiné-Bissau (CENTIF-GB), Justino Sá, acusou os partidos políticos de contribuírem para a promoção da corrupção no aparelho de Estado guineense.

De acordo com Justino Sá, vários cidadãos terão sido recompensados com cargos públicos após financiarem ou apoiarem partidos políticos durante períodos eleitorais, mesmo estando envolvidos em práticas de corrupção e branqueamento de capitais. Segundo o responsável, quando surgem investigações judiciais, os próprios partidos intervêm em defesa dos suspeitos.

A Conferência Nacional sobre a Corrupção decorre durante dois dias e reúne representantes de instituições públicas, organizações da sociedade civil, especialistas nacionais e internacionais, além de diversos atores comprometidos com a promoção da transparência, integridade e boa governação no país.

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