Papa se solidariza com vítimas do terremoto na Venezuela e encoraja à solidariedade

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Mais uma vez, Leão XIV expressou seu pesar pelas vítimas e consequências do terremoto. Na Venezuela, a Igreja está na linha de frente para as ajudas. “Como Cáritas e como Igreja Católica, estamos tentando ajudar a todos o máximo possível”, afirma dom José Luis Azuaje Ayala.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

Assim como no encerramento do Consistório, o Papa manifestou publicamente seu pesar pelas consequências do terremoto na Venezuela. Ao final dos Angelus, o Pontífice dirigiu as seguintes palavras:

“Gostaria de expressar minha solidariedade às irmãs e irmãos venezuelanos afetados pelos recentes terremotos, que causaram inúmeras vítimas e feridos, além de enormes danos materiais. Enquanto rezo ao Senhor pelo descanso eterno dos falecidos, renovo minha proximidade espiritual com seus familiares, com os feridos e com todos aqueles que foram atingidos por essa tragédia. Da mesma forma, manifesto minha gratidão e encorajamento a todos aqueles que trabalham com generosidade nas atividades de busca e assistência.”

Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Leão

Ontem, antes de suas considerações finais sobre os dois dias de trabalhos, o Papa expressou esse mesmo sentimento em nome também “de todo o Colégio Cardinalício” à população vítima da tragédia ocorrida quarta-feira passada. O Pontífice confiou ao Senhor todos aqueles que estão empenhados nos trabalhos de socorro, pedindo a solidariedade da comunidade internacional.

Pedido de oração

Por sua vez, o presidente da Cáritas Venezuelana, dom José Luis Azuaje Ayala, lançou um apelo através do Vatican News: “Pedimos a todos que rezem por este país, por todos aqueles que sofrem e também por aqueles que estão prestando socorro”. O arcebispo insistiu sobre a necessidade de acelerar as buscas por aqueles que ainda possam estar presos sob os escombros. Para ele, é necessário também realizar uma avaliação imediata de todas as infraestruturas que possam desabar em consequência dos numerosos e intensos tremores secundários, organizando “um esforço conjunto entre as diversas agências estatais e a sociedade civil para ajudar a minimizar as consequências desta tragédia”.

Quarta-feira passada, dois terremotos gêmeos, de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter, atingiram o centro e o nordeste da Venezuela. Os últimos dados oficiais indicam pelo menos 1400 mortos, mais de três mil feridos e mais de 50 mil desaparecidos. Esses números, provisório, podem aumentar consideravelmente. O governo venezuelano declarou estado de emergência nacional no Distrito da Capital e nos estados de La Guaira, Falcón, Carabobo, Yaracuy, Aragua, Miranda, Trujillo e Lara. No entanto, a situação mais grave é registrada em La Guaira, a poucos quilômetros da capital, sede do principal porto e aeroporto do país.

No momento, explicou o arcebispo Azuaje, metropolita de Maracaibo – uma região que não foi diretamente atingida pelo terremoto –, ainda se está avaliando a extensão dos danos materiais e humanos, especialmente nas infraestruturas das habitações localizadas nas áreas mais afetadas, em algumas partes de Caracas e, sobretudo, ao longo da costa central da Venezuela, onde os danos foram maiores e a atividade sísmica mais intensa.

“Muitas pessoas estão desaparecidas; acredita-se que ainda estejam soterradas sob os escombros de vários edifícios”, lamenta Azuaje, precisando que não foram apenas edifícios residenciais que desabaram, mas também hotéis, centros de lazer e estabelecimentos comerciais: “As autoridades continuam avaliando a situação, sobretudo no que diz respeito à busca por pessoas soterradas e presas”.

Prédios inteiros ficaram destruídos

Prédios inteiros ficaram destruídos   (MAXWELL BRICENO)

Desabrigados

O arcebispo confirma ainda que milhares de pessoas estão em praças ou áreas abertas, temendo réplicas que possam causar o desabamento de outras infraestruturas e edifícios já gravemente danificados. Ele também expressa preocupação com a situação crítica das redes elétrica e de distribuição de água potável, que já estavam em crise e agora, em algumas áreas, entraram em colapso total.

Enquanto isso, nas diversas dioceses, estão sendo organizados centros de acolhimento por meio da rede da Cáritas e de outras organizações. Também estão sendo identificados locais onde as pessoas que perderam suas casas possam achar abrigo, pois, acrescenta o presidente da Cáritas Venezuelana, “essa situação ainda vai durar muito tempo”. consideração-se que mais de 70.000 famílias tenham ficado desabrigadas somente no estado de La Guaira.

Desabamentos provocaram cerca de 50 mil desalojados

Desabamentos provocaram cerca de 50 mil desalojados   (AFP or licensors)

Hospitais em crise

O arcebispo destaca ainda a grave situação de alguns hospitais que ficaram danificados: “Os médicos e profissionais de saúde estão dando o máximo, sobretudo para atender aos feridos e às muitas pessoas que chegam com colapsos nervosos e com todas as consequências provocadas pelos dois terremotos simultâneos”. Dom Azuaje define, então, as prioridades: prestar socorro aos feridos; continuar procurando possíveis sobreviventes; avaliar as infraestruturas vulneráveis aos avaliar as infraestruturas vulneráveis aos tremores secundários e coordenar os esforços entre os diversos órgãos governamentais e a sociedade civil para “trabalhar em conjunto com o objetivo de minimizar as consequências dessa tragédia”.

A Cáritas Venezuelana, acrescenta ele, “estava em ação desde as primeiras horas da manhã, sobretudo nas áreas mais atingidas, com o objetivo principal de auxiliar no resgate das vítimas presas sob os escombros, mas também de procurar os desaparecidos nos diversos locais indicados por parentes ou amigos”.

O estado psicológico, a ansiedade e a incerteza da população, sobretudo diante dos inúmeros tremores secundários de diversa intensidade que ocorreram e continuarão ocorrendo nos próximos dias, também estão entre as principais prioridades da Cáritas Venezuelana,.

“Como Cáritas e como Igreja Católica – acrescenta o arcebispo venezuelano – estamos tentando ajudar a todos o máximo possível para que possam ter confiança e, sobretudo, para que possam superar essa crise psicológica e emocional que, infelizmente, causa incerteza e muitas outras consequências negativas na vida das pessoas.”

Igreja se preocupa também com os traumas provocados nos sobreviventes

Igreja se preocupa também com os traumas provocados nos sobreviventes   (ANSA)

Arrecadações

O presidente da Cáritas Venezuelana, lança, portanto, um apelo a toda a comunidade nacional e internacional para que contribua com a arrecadação de doações em dinheiro, mas também de alimentos não perecíveis, suprimentos médicos, equipamentos de primeiros socorros e tudo o que possa ajudar a enfrentar essas tragédias: “É nisso que estamos trabalhando e, acima de tudo, estamos tentando sensibilizar a sociedade, as empresas privadas e os órgãos governamentais para que todos possam contribuir para resolver a difícil situação que o país está enfrentando.”

Fonte

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