O arcebispo Alessandro Damiano dirigiu palavras de gratidão a Leão XIV pela visita no Campo Esportivo de Lampedusa. O arcebispo fala sobre o último gesto de afeto do Pontífice para com aqueles que perderam a vida nas viagens da esperança: sem dúvida “representou para cada um deles aquele último beijo e aquela última carícia que talvez tivessem tornado a morte menos amarga”.
Francesco Ricupero – Vatican News
“Em nome das inúmeras vítimas deste mar, de suas famílias e de suas comunidades, obrigado! Obrigado pelo ato de misericórdia que o senhor veio realizar e pela oração que o senhor veio elevar»: essas são as palavras dirigidas ao Papa pelo arcebispo de Agrigento, dom Alessandro Damiano, antes da bênção final, do altar montado no Campo Esportivo onde foi celebrada a missa pelo Papa Leão XIV.
“Esta manhã, aqui em Lampedusa — lembrou o prelado —, estavam presentes, antes de tudo, aqueles que não conseguiram sobreviver, como o pequeno Yousuf, a quem o Papa prestou homenagem durante a primeira parada no cemitério. Para eles, este Mare Nostrum tornou-se um abismo de desespero e um poço de morte. Quem sabe quantos ele reteve em suas profundezas, além daqueles que ele devolveu e que repousam em vários cemitérios desta diocese”.
Da última carícia ao sonho de uma nova vida
Segundo o arcebispo, a visita do Papa sem dúvida “representou para cada um deles aquele último beijo e aquela última carícia que talvez tivessem tornado a morte menos amarga”, mas, junto com aqueles que não conseguiram sobreviver, “havia também aqueles que conseguiram chegar ao destino, esperando por ela”. Para eles — explicou ele —, o sonho de uma vida nova, que começou com a fuga da morte, pode continuar. Mas é um sonho que ainda tem um preço muito alto, pois a pobreza de quem precisa recomeçar do zero sempre causa medo”. A presença do Pontífice, além de dar conforto e infundir coragem, segundo dom Damiano “foi, para cada um deles, um abraço de paz, que acolhe sem fazer distinções, e uma mão estendida, que encoraja sem ter preferências”.
A partir daí, o arcebispo agradeceu a Leão XIV em nome daqueles que conseguiram chegar e estão tentando recomeçar, e daqueles que, de distante, acompanham seus passos com ansiedade e apreensão: “Obrigado!”. Por fim, ao lembrar que Lampedusa é uma “terra prometida” peculiar, pois “não possui potencial e recursos suficientes para garantir um porvir e, geralmente, é apenas uma terra de passagem”, o arcebispo de Agrigento destacou que a visita do Papa “nos chamou a não nos esquivarmos, por nenhuma razão, desse fardo, que é, antes de tudo, uma honra; nos despertou — concluiu o prelado — para nossa vocação original de ‘guardiões dos irmãos’; nos devolveu o ministério da hospitalidade, no qual podemos achar o Senhor e nos deixar achar por Ele».

