Com 11 anos, natural de Gana, sobreviveu a um naufrágio no qual perdeu a mãe e chegou a Lampedusa em uma noite de junho de 2016. Adotado por um casal de Palermo, o menino conta que a sua história “começou” quando ganhou uma bola de papel. Ele joga futebol e, na manhã deste sábado (04/07), na Porta da Europa, presenteou o Papa com uma bola: “assim ela pode fazer outras crianças felizes”.
Salvatore Cernuzio – enviado a Lampedusa
Neste sábado (04/07), diante da Porta da Europa, o memorial de Lampedusa — que relembra todos os desembarques e naufrágios, incluindo o seu em 2016, durante o qual perdeu a mãe a quem estava agarrado — presenteou o Papa com uma bola. “Será para a Copa do Mundo?”, especulou alguém. Nada disso, há todo um mundo para Leonardo Derek Montana, de 11 anos, por trás daquela bola. É um símbolo, uma lembrança, o instrumento que o ajudou a superar a tristeza, a recomeçar e iniciar uma nova vida, a reencontrar a felicidade de se divertir e sair para brincar com os amigos. Não é uma história com final feliz a do menino ganês, que chegou à Lampedusa numa noite de junho, há 10 anos; é uma história verdadeira e, se você questionar a Leonardo, ele a conta de bom grado, movendo os olhos vivazes e inteligentes que tinha por trás grande emoção enquanto lia para Leão XIV um bilhete escrito à mão.
A carta para o Papa
Já o menino sorri para a imprensa do Vaticano, que o entrevista à margem da missa no Campo Esportivo, ao lado do médico Pietro Bartolo, que sempre esteve próximo à família. Trata-se de Leonardo e de seus pais adotivos, o pai Walter Montana e a mãe Marilena Poderati, vice-diretora do Gonzaga Campus, que todos os anos organiza viagens a Lampedusa para mostrar aos jovens do Gonzaga “o bem que é feito”, como ela conta. Hoje, os dois observavam orgulhosos o filho ler ao Papa as duas pequenas páginas preparadas, nas quais ele escreveu: “Querido Papa, estou superemocionado por conhecê-lo! Há dez anos, minha história começou aqui em Lampedusa. Eu estava sozinho e tinha perdido tudo, principalmente a minha mãe. Dizem que só parei de chorar quando me deram uma bola feita de papel; desde aquele dia, a bola ficou no meu coração e eu nunca mais parei de jogar”.
Fazer outras crianças felizes
“A bola ficou no meu coração”, explica Leo à imprensa do Vaticano. “Estou dando continuidade à minha carreira, jogando futebol com meus colegas na escola. Hoje, quis dar ao Papa uma bola que representa o início da minha história e quis entregá-la para que ele possa dá-la a outra criança e fazê-la feliz”. E você está feliz? “Sim”, responde o menino de 11 anos.
Fiquei feliz, sobretudo, por ter sido protagonista de um dos momentos mais significativos da visita papal em Lampedusa: a etapa na Porta da Europa. “Eu não sabia (que era uma das crianças escolhidas para saudar o Papa, nota do editor). Li essa notícia, quer dizer, enfim, fiquei sabendo por meio de uma foto que minha mãe me mandou pelo Facebook. Eu não tenho Facebook, ela tem e me mandou a foto. E eu disse: ‘Mas, Leonardo, sou eu?’. E minha mãe disse: ‘Sim, Leonardo, é você’. E então eu pulei do sofá, saltei de felicidade e gritei: ‘Uau!’”.
Com Leão na Porta da Europa
O menino está feliz, inclusive por ter voltado a Lampedusa, um pedaço da sua história: “eu já conheço o lugar, mas não imaginava que voltaria aqui para achar o Papa neste momento”. O Papa que, aliás, pegou-o pela mão junto com a pequena Maria, natural da Costa do Marfim, e juntos seguiram para a Porta da Europa. “Houve muitos abraços, apertos de mão e, para mim, isso é algo muito relevante. Na Porta da Europa, tiramos até algumas fotos; digamos que foi muito comovente, emocionante. Lindo, né?”.

