Na noite de sábado, 25 de julho, uma van atropelou em alta velocidade uma multidão de pessoas que participavam da Parada do Orgulho LGBTQ+ de Berlim. O ataque deixou até agora um morto e cerca de 30 feridos. O suspeito morreu na operação policial. Reações da Igreja local, da União Europeia e das autoridades políticas alemãs: “Não ao ódio, defendemos nossa liberdade.”
Vatican News
“Que coisa terrível! O ódio não pode vencer.” Essas foram as primeiras palavras do arcebispo de Berlim, dom Heiner Koch, em declarações à agência de notícias KNA, a respeito do atentado que na noite de sábado, 25 de julho, deixou um morto e, até o momento, cerca de trinta feridos na capital alemã, quando uma van atropelou em alta velocidade uma multidão de participantes da Parada do Orgulho LGBTQ+.
UE: unidos contra quem semeia medo e divisão
Representantes da União Europeia também condenaram o ataque. “Expresso as minhas mais profundas condolências às vítimas do ataque na Parada do Christopher Street Day (a Parada do Orgulho LGBTQ+ na capital alemã, nota do editor) em Berlim e às suas famílias e amigos. Todos devem poder viver, amar e proteger os seus direitos sem medo. O ódio e a violência não têm lugar em nossas sociedades.” Foi o que escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, num post em alemão nas redes sociais. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, se uniu a este sentimento. “Hoje, os nossos pensamentos se voltam para as vítimas do atentado em Berlim, suas famílias e todos os que participam do Christopher Street Day. O ódio e a violência não têm lugar na nossa Europa de liberdade e respeito. Continuaremos unidos contra aqueles que procuram semear medo e divisão.”
O ataque ocorreu por volta das 22h de sábado, 25 de julho
Berlim viveu uma noite de terror, após um dia de comemorações com shows, desfiles e música. Por volta das 22h, uma van branca foi vista entrando no parque Tiergarten e atropelando uma multidão reunida no local, matando uma pessoa — uma mulher, segundo a Der Spiegel — e ferindo outras dezesseis, algumas gravemente. As autoridades identificaram o suspeito do ataque e divulgaram uma fotografia: um homem de 21 anos, identificado como Abdul B., que, segundo a agência de notícias DPA, foi libertado de um cárcere para menores em maio de 2026. Ele foi morto este domingo durante uma operação policial. Acredita-se que ele seja um apoiador do Estado Islâmico (EI). Ele fugiu a pé depois que a van branca, que atropelou pessoas na rua, bateu numa árvore.
De acordo com os veículos de imprensa Der Spiegel e Bild, Ballout tentou se juntar ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria em 2025, mas foi preso no Líbano. Foi enviado à Alemanha, onde foi condenado em 2026 em outro caso por “preparar um grave ato de violência subversiva”, acrescentaram.
A reação das autoridades alemãs
Um “ato abominável!”, escreveu o chanceler alemão Friedrich Merz no X, chamando-o de “ataque à nossa sociedade”. “Somos abertos e amantes da liberdade — e preservamos e defendemos isso”, acrescentou. “Um ataque à nossa sociedade livre e aberta”, descreveu também o prefeito de Berlim, Kai Wagner, que visitou o local do ataque. “Não permitiremos que nosso estilo de vida e nossa forma de viver juntos nos sejam tirados”, acrescentou.
Episódios de violência na Alemanha nos últimos anos
Berlim já foi palco de atentados e episódios de violência nos últimos anos. Em fevereiro de 2025, poucos dias antes das eleições gerais, um turista espanhol foi esfaqueado perto do Memorial do Holocausto. No início de março, um jovem sírio foi condenado a 13 anos de prisão por um ataque com motivação jihadista. A mesma motivação também esteve presente no episódio de dezembro de 2016, na extremidade sul do Tiergarten, quando um cidadão tunisino matou 12 pessoas numa feira de Natal com um caminhão. Outro ataque com veículo a uma feira de Natal em Magdeburg (no leste da Alemanha) no final de 2024, deixou seis mortos e mais de 300 feridos. O ataque foi perpetrado por um psiquiatra saudita que foi condenado à prisão perpétua no final de junho. No início de maio, um alemão de 33 anos foi internado num hospital psiquiátrico após atropelar vários pedestres numa rua comercial no centro de Leipzig, matando dois e ferindo seis.

