Diversas áreas do continente africano também passaram por profundas mudanças, especialmente a partir do século VII ao serem assimiladas e integradas ao Império Muçulmano ao final da primeira onda de conquistas. Egito e África do Norte foram as regiões que mais sofreram modificações em sua organização graças a esse processo de assimilação.
Padre José Inácio de Medeiros, CSsR – Instituto Histórico Redentorista
Originalmente existiram na África vários povos que formaram reinos ou confederação de tribos bem avançadas do ponto de vista econômico, militar e organizadas socialmente. No norte do continente existiram grandes civilizações com a que se formou durante milênios no Egito que se desenvolveu ao longo do Rio Nilo e a de Cartago que chegou a enfrentar a grande potência romana. No sul do Deserto do Saara existiram grandes civilizações, mas a história também mudou a partir dos séculos XV e XVI com a chegada das nações europeias e depois, a partir do século XIX, com a formação dos grandes impérios coloniais.
Diversas áreas do continente africano também passaram por profundas mudanças, especialmente a partir do século VII ao serem assimiladas e integradas ao Império Muçulmano ao final da primeira onda de conquistas. Egito e África do Norte foram as regiões que mais sofreram modificações em sua organização graças a esse processo de assimilação.
O Egito Islâmico e a expansão muçulmana
O Egito islâmico se tornou uma relevante província muçulmana entre o século VII e o final do século XI mesmo que afastada do califado, sendo transformada no centro do potente Império dos Fatímidas, originalmente simples celeiro, posteriormente principal entreposto comercial entre o Mediterrâneo e o Oceano Índico. Em várias ocasiões o Egito exerceu grande influência no destino de outras partes da África; sendo o ponto de partida da conquista árabe no século VII. Essa primeira onda islamizou a África do Norte e a do século XI, levou ao processo completo de arabização.
Foi a partir do Egito que os beduínos árabes iniciaram um movimento rumo ao Sul, penetrando em outras regiões, levando ao declínio alguns reinos cristãos existentes na antiga Núbia e Sudão, próximos ao Rio Nilo.
O Egito durante este período deixou de ser uma terra cristã e a maioria da sua população se converteu ao islã, mas algumas igrejas monofisistas da Núbia e da Etiópia continuaram resistindo ao avanço do islã.
Ao longo dos séculos XII e XIII, o Egito se consolidou como uma potência islâmica fazendo frente aos cruzados ocidentais e aos invasores mongóis do período medieval.
Dificuldades no meio do caminho
Na região do Magreb, os conquistadores árabes enfrentaram grande resistência dos berberes e somente ao final do século VII lograram submeter as principais regiões.
A maioria dos berberes converteu‑se então ao islã e, malgrado o ressentimento que lhes inspirava a dominação política árabe, se tornaram partidários da nova fé, contribuindo para propagá‑la do outro lado do estreito de Gibraltar, na Península Ibérica e além do Saara.
Esses guerreiros berberes formavam grande parte dos exércitos muçulmanos que conquistaram a Espanha, que arrancaram a Sicília dos bizantinos e conduziram vitoriosas campanhas no Egito e na Síria.
Desse modo, a África do Norte passou a ocupar uma posição‑chave no mundo muçulmano, política e economicamente.
Sob o domínio muçulmano, a região do norte da África esteve novamente ligada a uma economia de importância mundial, desempenhando papel de primeiro plano, passando por um novo crescimento demográfico, urbanização e retomada da prosperidade econômica e social.
Isso explica o fato do Egito, mesmo tendo decaído de importância, ainda é um dos principais países do mundo árabe, tendo feito frente à expansão de Israel durante várias décadas do século XX e XXI.
Expansão religiosa e militar
Deve-se aos berberes, depois de aderirem a algumas seitas do islã, a introdução da religião muçulmana ao Sul do Saara, pois as caravanas de comerciantes berberes que atravessavam o grande deserto em direção às regiões mais férteis da África não transportavam somente mercadorias, mas ajudavam a propagar as novas concepções religiosas e culturais.
Esta expansão rumo ao sul trouxe uma nova dimensão econômica para a África do Norte. O ouro retirado do Sudão afluía para a costa do Mar Mediterrâneo em quantidades cada vez maiores, provocando a ascensão econômica de numerosas dinastias muçulmanas reinantes no Oeste.
Além disso, a exploração das minas de sal do Saara intensificou‑se, como resposta à crescente demanda da África subsaariana por esta indispensável substância mineral. Essas trocas com a África subsaariana constituíram, durante vários séculos um ramo de um frutuoso comércio.
Nas últimas décadas do século XX e XXI a África continua a sofrer com a ação de grupos islâmicos radicais como o Boko Haran que agem em diversos países tanto do norte como do sul do Saara, levando imenso sofrimento à população, especialmente das comunidades cristãs.

