A noite dos 80 mil: a vigília de Leão com os jovens, entre orações e fogos de artifício

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Um clima de estádio, de fato, no Stade de France, o maior do país, na periferia parisiense de Saint-Denis. Cânticos, danças, fogos de artifício, desfiles de cavalos e jovens vestidos de santos durante o longo e animado evento que foi, acima de tudo, um momento de oração e de encontro com o Pontífice.

Salvatore Cernuzio – Enviado a Saint-Denis

Fogos de artifício tão potentes que iluminam o céu noturno de Paris. Mãos e pés batendo como tambores nas arquibancadas. Braços erguidos, olhos fechados, lanternas dos celulares acesas por meio do aplicativo Wepix, que os animadores pediram que baixassem no início do encontro. Depois, drones, holofotes, veleiros, bigas, cavalos correndo sobre o tapete de veludo, meninos e meninas vestidos de santos franceses que também correm. É uma vigília? Talvez. Um espetáculo? É possível, já que o roteiro fala de prólogo, atos e encenação. É certamente um momento de grande intensidade aquele que encerrou o primeiro dia da viagem do Leão XIV à França na noite desta sexta-feira (25/09): o encontro com 80 mil jovens de 17 a 35 anos no Stade de France, na periferia de Saint-Denis.

Nos arredores de Paris

Uma área nos arredores de Paris que enfrenta uma grave crise habitacional e uma alta taxa de desemprego, com 36% dos moradores vivendo abaixo da linha da pobreza. Problemas esses que, no entanto, pelo menos por uma noite — ou melhor, por um dia inteiro, já que alguns desses jovens estavam no estádio desde a manhã —, vão se perdendo na fumaça dos fogos de artifício, nas vibes transmitidas pelas bandas de rock católico no palco, na poeira levantada pelas centenas de figurantes a cavalo representando as quadrigas romanas, os hunos e a cavalaria de Joana d’Arc. Acima de tudo, cada coisa vai se perdendo em meio à euforia geral de ter o Papa, finalmente, bem ali, a um palmo do nariz. Ele passa com o papamóvel, ao som de violinos e violoncelos e dos gritos de “León, León”, e entra exatamente no enquadramento do seu smartphone.

Quando o último Pontífice chegou a Paris, muitos desses jovens nem sequer haviam nascido. Nesta sexta-feira, eles vieram do interior e dos subúrbios, se organizaram entre paróquias e movimentos para estar presentes na noite financiada por patrocinadores locais e idealizada por um grupo de 25 pessoas em colaboração com a Diocese de Saint-Denis e seu bispo, dom Étienne Guillet (um dos mais jovens da França), que faz as honras da lar e recebe o Papa com uma saudação.

Os jovens no Stade de France para o encontro com o Papa

Os jovens no Stade de France para o encontro com o Papa   (@Vatican Media)

Cânticos, danças, orações

São alunos do ensino médio, estudantes, profissionais, solteiros, casais. Todos cantam nas arquibancadas lotadas até o último assento; cantam canções afro assim como as litanias. Dançam também, enquanto aguardam a chegada de Leão XIV ao palco, encimado por um monitor gigante que reproduz um rosáceo semelhante ao da Notre-Dame. Então, em determinado momento, eles se calam, ficam em silêncio e rezam. Rezam quando desfilam as bandeiras dos santuários (de Lourdes e La Salette, a Pellevoisin, L’Île-Bouchard, Mont-Saint-Michel etc.), rezam na entrada dos catecúmenos, acompanhados pela orquestra que entoa Céleste Jérusalem, ou enquanto canta uma jovem libanesa, Elena Al Amil, residente na França, mas originária de uma das aldeias do sul do Líbano, na fronteira com Israel. Rezam quando aparecem os jovens vestidos como Maria Madalena, João Eudes, Blandina, Charles de Foucauld, Luís e Zélia Martin.

Em busca da felicidade e à descoberta da santidade

É difícil acompanhar a direção desta vigília, que alterna canções e palavras, manifestações artísticas e procissões religiosas. Como a cerimônia de encerramento com a relíquia da Sagrada Túnica de Argenteuil, venerada desde a Idade Média como a túnica sem costuras de Cristo que os soldados dividiram por sorte aos pés da cruz. Ela foi escolhida para a vigília como sinal da unidade da Igreja (uma túnica intacta) e do amor doado. Ela também foi venerada durante a noite, ao final do evento.

É difícil acompanhar tudo. Só nos resta nos deixar levar e participar do entusiasmo de todos esses jovens franceses em busca da felicidade e à descoberta da santidade, agora encorajados pelas palavras claras do pastor da Igreja universal: “A França precisa de vocês”. Ele aponta o caminho. E o faz também fisicamente, colocando-se sobre a plataforma no corredor central do Stade de France. Um momento simbólico, o quadro final de um evento com mil facetas.

Bandeiras libanesas entre os grupos de jovens presentes no estádio de Saint-Denis

Bandeiras libanesas entre os grupos de jovens presentes no estádio de Saint-Denis   (@Vatican Media)

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