África do Sul: centro católico forma jovens para o porvir

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Na África do Sul, onde quase metade dos jovens entre os 15 e os 34 anos está desempregada, ter uma formação profissional prática pode fazer a diferença entre a dependência e a dignidade, entre o desespero e a esperança.

Sheila Pires – Joanesburgo

No Dia Mundial das Competências dos Jovens, celebrado a 15 de julho sob o tema “Competências para um porvir Partilhado”, a Igreja Católica recorda que investir na formação dos jovens é investir num porvir mais justo e inclusivo. Há décadas que escolas, centros de formação e programas de desenvolvimento católicos ajudam milhares de jovens a adquirir competências que lhes permitem reconstruir as suas vidas.

Um desses exemplos é o Instituto de Competências Thabiso, do Catholic Institute of Education (CIE), criado pela Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC). Desde 2010, o Instituto coordena centros católicos de formação profissional em todo o país, oferecendo oportunidades a jovens desempregados e adultos que abandonaram o sistema formal de ensino.

Atualmente, o instituto apoia 29 centros de formação distribuídos por sete províncias, proporcionando formação profissional a cerca de 5.000 jovens por ano. Este trabalho ganhou um novo impulso graças à parceria com o Banco Absa (Absa Bank), que continua a apoiar programas de formação profissional, empreendedorismo e criação de meios de subsistência.



Membros da Banca

Segundo o Inquérito Trimestral sobre a Força de Trabalho (Q1 2025), os jovens representam pouco mais de metade da população sul-africana em idade ativa, mas a taxa oficial de desemprego entre os 15 e os 34 anos atingiu os 46,1%. Para muitos, a formação profissional tornou-se uma alternativa concreta para alcançar autonomia económica.

“Percebemos que existiam muitos centros de educação de adultos e de formação profissional a funcionar em propriedades pertencentes à Igreja Católica em toda a África do Sul”, explica Nathan Johnstone, responsável pelo Instituto de Competências Thabiso.

Oiça a entrevista da Sheila Pires com Nathan Johnstone

O Catholic Institute of Education, criado pela SACBC em 1985 para apoiar a educação católica, respondeu a esta realidade criando uma rede nacional de centros de competências. Hoje, para além da formação em áreas como construção civil, reparação de telemóveis, estética, tecnologias de informação e indústria transformadora, os participantes recebem formação em empreendedorismo, competências para a vida, mentoria e acompanhamento após a conclusão dos cursos.

“A formação é apenas o início da caminhada”, afirma Johnstone. “O que os jovens realmente precisam é de pessoas que os acompanhem, os orientem e os ajudem a criar oportunidades.”

Este acompanhamento reflete a visão da Igreja sobre o desenvolvimento humano integral, formando não apenas profissionais qualificados, mas pessoas capazes de contribuir para o sustento das próprias famílias e para o bem-estar das comunidades.

O impacto desta missão torna-se evidente nas histórias de quem passou pelo programa.

Formandos em habilitações práticas

Formandos em habilitações práticas

Patricia Mahlangu, fundadora de uma empresa de produtos naturais à base de plantas medicinais africanas, afirma que a formação lhe permitiu transformar um pequeno negócio numa empresa em crescimento. Graças ao apoio recebido, diversificou a produção, desenvolvendo sabonetes, óleos de massagem e outros produtos, ao mesmo tempo que ganhou confiança para procurar novos mercados.

Para Luyolo Tumelo Manzi, a formação representou uma segunda oportunidade. Depois de enfrentar dificuldades no ensino convencional, escolheu especializar-se na reparação de telemóveis. Após concluir o curso, ajudou a criar uma empresa estudantil antes de lançar o seu próprio negócio, a Mobile Experts.

“Não desisti”, recorda. “Decidi aproveitar ao máximo a competência que adquiri.”

Oiça as palavras de Luyolo, em inglês

O trabalho do Instituto é possível graças à colaboração entre a Igreja, organizações da sociedade civil e parceiros do setor privado. Entre eles encontra-se o Absa Bank, que há vários anos financia programas de formação profissional e empreendedorismo.

Para Madoda Hlongwane, responsável pela área de Avaliação Aplicada da divisão de Cidadania Corporativa do Banco, o combate ao desemprego jovem exige um esforço conjunto.

“O Governo não consegue resolver este desafio sozinho. Precisamos de trabalhar em parceria com organizações que conhecem as comunidades e compreendem a realidade dos jovens. Juntos podemos capacitá-los para participar de forma significativa na economia”, afirmou.

Aqui as palavras de Madoda:

Enquanto a Conferência dos Bispos Católicos da África Austral celebra os 75 anos da criação da hierarquia católica na região, o trabalho desenvolvido pelo Instituto de Competências Thabiso demonstra como a educação continua a ser uma das missões fundamentais da Igreja.

Num mundo marcado pelas rápidas transformações tecnológicas, pela inteligência artificial e por mercados de trabalho em constante mudança, iniciativas como esta mostram que formar os jovens significa muito mais do que prepará-los para um emprego. Significa restaurar a dignidade, fortalecer as comunidades e oferecer esperança, permitindo que se tornem protagonistas na construção de um porvir verdadeiramente partilhado.

Momentos da formação

Momentos da formação

Centro de formação prática

Centro de formação prática

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