O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos comenta à mídia do Vaticano a decisão do Pentágono de transmitir ao vivo a execução capital de Nidal Hasan, o ex-major do Exército condenado pelo massacre de Fort Hood em 2009. “Isso só prejudicará o tecido ética de nossa nação”, afirma.
Vatican News
“Nosso Deus é o Deus da vida: de forma alguma as ações de Hassan podem ser justificadas, mas essa decisão é uma promoção bárbara de uma cultura da morte e deve ser reconsiderada”. Assim, o presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o arcebispo Paul Stagg Coakley, comenta à mídia vaticana a decisão do Departamento de Guerra de Washington de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Hassan, o ex-major do Exército condenado pelo massacre de Fort Hood em 2009.
Escolher sempre a vida
O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos afirma ter tomado conhecimento “com choque e grande dor” da decisão do Departamento de Guerra dos EUA. “A Palavra de Deus nos exorta: ‘não retribuam a ninguém mal com mal’ (Romanos, 12:17) — prossegue o arcebispo Coakley —. A execução pública, mesmo de alguém que cometeu um grave dano, não fará senão prejudicar ainda mais o tecido ética de nossa nação e será uma mancha na consciência de seu povo”. O prelado, para concluir, afirma que reza pela intercessão de Nossa Senhora do Bom Conselho para que “nós, como nação, possamos sempre escolher a vida, mesmo nas circunstâncias e nos momentos mais difíceis”.
A possibilidade de recurso
O anúncio feito nas últimas horas pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos ocorreu após as recomendações do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, e na sequência da aprovação da decisão pelo presidente Donald Trump. Hassan, ex-psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, foi condenado pelo massacre cometido em 2009 no Soldier Readiness Processing Center de Fort Hood, no Texas, quando abriu fogo, matando 13 pessoas e ferindo outras 32. Caso Hassan não entre com recurso — o que poderia prolongar consideravelmente o processo —, esta seria a primeira execução realizada pelo Exército dos Estados Unidos desde 1961 e a primeira por fuzilamento desde 1945. De acordo com o que foi anunciado pelo Pentágono, na ausência de recursos, a execução deverá ocorrer no dia 3 de dezembro na base militar de Fort Hood, no Texas, o mesmo local onde Hassan cometeu o massacre em 2009.

