Em sua saudação no simpósio realizado no Angelicum sobre o tema “Construir a fraternidade por meio do colóquio e da colaboração”, o prefeito do Dicastério para o colóquio Inter-religioso reafirma o papel das diferentes tradições religiosas na defesa e na promoção da paz em um mundo cada vez mais fragmentado e polarizado
Vatican News
Dois dias de debate e colóquio, de troca de experiências rumo a uma única perspectiva: sentir-se irmãos empenhados em construir e fortalecer um laço de fraternidade. Esse é o sentido do simpósio: “Budistas, cristãos, hindus, jainistas e sikhs na Europa: Construir a fraternidade por meio do colóquio e da colaboração”, que se realiza esta terça e quarta-feira (dia 23 e 24 de junho), na Pontifícia Universidade de Santo Tomás de Aquino, em Roma. Em sua saudação, o cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério para o colóquio Inter-religioso — um dos organizadores da iniciativa —, destacou que “o conceito de fraternidade é frequentemente considerado uma ideia utópica”, sobretudo neste momento em que “é gravemente minado por crimes contra a humanidade, guerras, violência, conflitos, divisões, discriminação e ódio em diversas partes do mundo”. O purpurado reavivou o “espírito de Assis” a poucos meses do 40º aniversário do Dia Mundial de Oração pela Paz, convocado por São João Paulo II em 1986, e do 800º aniversário da morte de São Francisco, “o apóstolo da fraternidade universal”, inspirador da encíclica do Papa Francisco “Fratelli tutti”.
Construir pontes
A orientar a reflexão do cardeal Koovakad estão também as palavras do Papa Leão XIV sobre a necessidade de construir pontes entre crentes e pessoas de boa vontade “por meio do colóquio e da colaboração”. Para o Pontífice, a fraternidade é, de fato, “uma realidade vivida, mais forte do que os conflitos, as diferenças e as tensões” e que torna “as culturas, as sensibilidades e as tradições uma oportunidade de enriquecimento mútuo”.
Um continente rico em diversidade
Referindo-se à Europa, o chefe do Dicasterio lembrou que ela guarda “um patrimônio cultural e religioso que testemunha com orgulho o florescimento de grupos heterogêneos e sua integração ao longo da história”; uma história marcada por migrações, globalização, mudanças demográficas e pela redução da força de trabalho. Daí, a metamorfose do continente em “um rico cadinho” de etnias, línguas e tradições religiosas. Um patrimônio, prosseguiu o cardeal Koovakad, a ser valorizado para criar “uma sociedade inclusiva, coesa e harmoniosa”, promovendo a fraternidade e a amizade no pleno respeito à dignidade de cada ser humano e aos seus direitos, “incluindo o direito de professar e praticar a própria religião”.
Trabalhar pelo bem comum
O apelo do cardeal àqueles que vivem na Europa e àqueles que fizeram dela seu lar é o de trabalharmos juntos em prol do bem comum “com a convicção de que a diversidade cultural, religiosa e social é uma riqueza humana e não uma ameaça”. “Quanto mais nós, pessoas de diferentes tradições religiosas”, afirmou o prefeito Koovakad, “nos encontrarmos e trocarmos opiniões, respeitando a singularidade dos contextos, das tradições e das religiões uns dos outros, tanto mais cresceremos não apenas em nosso amor fraterno e na consideração mútua, mas também em nosso compromisso de trabalhar e contribuir juntos pelo bem de todos na sociedade”.
Promover a paz
Para concluir, recordando as palavras do Papa Leão, o cardeal convida a unir forças “para proteger e promover a paz, a justiça e a fraternidade humana, por meio do colóquio, da colaboração e da amizade social, que são os elementos fundamentais para construir a fraternidade humana em nosso tempo, em que o mundo está mais fragmentado e polarizado do que nunca!” Em seguida, os votos de que esses dias de reflexão e colóquio ajudem a “achar formas e meios para fortalecer as relações mútuas com base no respeito, na fraternidade, na solidariedade e na confiança”.


