O Papa se reuniu na Sala Paulo VI com 7 mil professores, alunos e ex-alunos da Universidade Villanova, onde se formou em matemática, e da Universidade de Notre Dame, cujas equipes de basquete se enfrentarão neste domingo (01/11), em Roma, na abertura dos campeonatos universitários. Ele define o esporte como “um meio concreto de reunir as pessoas”, necessário para superar as distâncias “que a tecnologia pode criar”. E diz que o Papa não torce por nenhum time, mas “Prevost pensa diferente”.
Alessandro Di Bussolo – Vatican News
Na Sala Paulo VI, no Vaticano, estavam os times das duas universidades católicas americanas, Villanova e Notre Dame, que escolheram Roma para se enfrentarem neste domingo, 1º de novembro, com as equipes de basquete masculino e feminino, os Wildcats e os Fighting Irish, e assim inaugurar de maneira inovadora a temporada da NCAA – o campeonato universitário americano. Pela primeira vez, esse “primeiro dia” de aula se realiza na Itália, no ginásio PalaEur, em Roma. Os capitães das duas equipes ofereceram ao Papa Leão XIV a camisa comemorativa com o número XIV e a bola de basquete, e o Pontífice chegou a se inclinar para a frente na cadeira, para ficar quase na altura dos altíssimos atletas.
Leia a íntegra do discurso do Papa Leão XIV
O Papa não toma partido por ninguém
Leão, que estudou na Universidade Villanova — a universidade fundada na Pensilvânia pela Ordem de Santo Agostinho — e lá se formou em matemática, explica de improviso que, ao crescer na zona sul de Chicago, costumava ouvir com os irmãos: “Vai, Irish!”. Portanto, “o Papa não toma partido por ninguém. Prevost pensa diferente, mas não é o momento de falar sobre isso”.
O esporte: remédio para o corpo e espírito
O Pontífice também é um esportista e, assim como aos nadadores da Federação Italiana de Natação, lembra que “o esporte, quando bem vivido, é remédio para o corpo e para o espírito”. Em seguida, repete o que disse na homilia da missa pelo Jubileu do Esporte, em 15 de junho de 2025:
“Como muitos de nós já experimentamos, ao servir como um meio concreto para reunir as pessoas, o esporte pode ensinar os valores da cooperação e da partilha mútua. Isso é cada vez mais necessário em uma época caracterizada pelo distanciamento que a tecnologia pode criar.”
O potencial do esporte na vida acadêmica e social
Após saudar os reitores das duas universidades, o Pe. Peter Donohue, de Villanova, e o Pe. Robert Dowd, de Notre Dame — a universidade em Indiana fundada pela Congregação da Santa Cruz (que, no início da audiência, saudaram o Pontífice) — e todos os presentes, o Papa, ao falar sobre os jogos deste domingo (01/11), destacou o potencial do esporte em “desempenhar um papel de grande impacto tanto na vida de uma comunidade acadêmica quanto na sociedade em geral”.
O esporte promove fraternidade, solidariedade e paz
E reitera o que foi escrito na carta apostólica sobre o esporte A Vida em Abundância: nos últimos anos, a Igreja Católica, por meio das palavras dos Pontífices, “propôs uma visão do esporte centrada na dignidade da pessoa humana, em seu desenvolvimento integral, na educação e na relação com os outros, destacando seu valor universal como instrumento de promoção de valores como a fraternidade, a solidariedade e a paz”.
Os atletas são rivais esportivos, nunca inimigos
Leão XIV prossegue explicando, assim como fez na própria carta apostólica, que “durante os eventos esportivos é natural querer torcer, muitas vezes com grande paixão, pelo próprio time”. É relevante, porém, lembrar que, em qualquer competição, “os membros de dois times, mesmo que haja rivalidade esportiva entre eles, certamente não são inimigos”. Por isso, ele espera que, durante esta viagem a Roma, “haja oportunidades para que os jogadores e torcedores das duas equipes aprendam a se conhecer”.
Ninguém nasce santo, ninguém nasce campeão
A visita das duas universidades ao Vaticano e ao Papa, lembra ele, ocorre na véspera da Solenidade de Todos os Santos, e que Deus “chama todos a serem santos”. Somos, portanto, convidados “a garantir que cada aspecto de nossa vida, inclusive nossa atividade esportiva, nos ajude a amar a Deus e ao próximo”. O Pontífice ressalta que, para muitos santos, como Pier Giorgio Frassati, um dos santos padroeiros dos atletas, “o esporte era um componente relevante da vida deles”.
“A sua vida, assim como a de muitos homens e mulheres santos, nos lembra que ninguém nasce campeão, assim como ninguém nasce santo. Em vez disso, a santidade exige um treinamento diário no amor.”
Uma corrida cujo prêmio é a vida eterna
Por fim, o Papa Leão lembra que os cristãos “são chamados a participar da corrida da vida com o objetivo de conquistar uma coroa de grandeza eterno”, conforme escreveu São Paulo na Carta aos Coríntios:
“Rezo para que as atividades previstas na peregrinação de vocês, em especial, nas visitas aos túmulos dos Apóstolos que deram a vida em defesa da fé, sirvam para lembrar que o nosso verdadeiro objetivo, além de sairmos vitoriosos de algum evento, é conquistar o prêmio da vida eterna.”

