No encontro com a comunidade diocesana de Madri, Leão XIV convidou a fazer “da escuta e do colóquio o terreno comum no qual fazer crescer a justiça e a fraternidade”. “Nas grandes cidades, mais do que em outros lugares, às vezes nos parece que já não possuímos os mapas para nos mover com segurança”, disse o Papa, convidando a “oferecer o testemunho evangélico que desperta as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade”.
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV encontrou-se com a comunidade diocesana de Madri no Estádio Santiago Bernabéu, na tarde desta segunda-feira (08/06), no âmbito de sua viagem apostólica à Espanha.
O Estádio Santiago Bernabéu, propriedade do Real Madri Football Club, deve seu nome ao histórico jogador e presidente do Real Madri, que presidiu o clube de 1943 a 1978.
O estádio, inaugurado em 1947 e reformado diversas vezes, pode atualmente acomodar mais de 80 mil espectadores e possui mais de 200 camarotes VIP.
Diversidade na unidade
Assim, Leão XIV iniciou o seu discurso, dizendo que este encontro “é um grande hino de fé”, e manifestou satisfação de estar ali e unir sua voz à da comunidade diocesana de Madri, “para louvar a Deus e fortalecer os laços desta bela família eclesial que está aprendendo a arte da polifonia, ou seja, da diversidade na unidade“.
O Papa agradeceu ao arcebispo de Madri, cardeal José Cobo Cano, “por expor a parábola do canto, que sugere que números, dados e fatos não bastam para gerar comunidade”. De acordo com o Papa, “o nosso coração precisa cantar, ou seja, interpretar os acontecimentos e as situações celebrando com os outros o sentido que eles revelam. Para a Igreja, isso ocorre de modo singular na liturgia, o grande Memorial da história que nos salvou”.
Cultivar o desejo de achar o Ressuscitado
“A felicidade de vocês será contagiante se, deixando de ser uma emoção passageira, se tornar um modo estável de ser, um sentimento profundo que renova as pessoas, os grupos e a comunidade diocesana”, disse ainda o Papa, recordando que “o Batismo muda verdadeiramente a vida”.
Recordando um trecho de sua Encíclica Magnifica humanitas, o Papa sublinhou que é preciso transformar “a diversidade em um recurso” e fazer “da escuta e do colóquio o terreno comum no qual fazer crescer a justiça e a fraternidade”.
De acordo com Leão XIV, “existe uma relação especial entre a Igreja e a cidade, que adquire ainda maior importância na mudança de época que estamos vivendo: uma relação que, naturalmente, se concretiza entre pessoas de carne e osso, nas relações de trabalho e de proximidade, mas também nas diversas comunidades, associações e entidades de bairro”.
“Torna-se cada vez mais evidente a especificidade da missão cristã no interior das grandes realidades urbanas, onde “pulsa e se elabora uma cultura inédita”. “A clareza sobre esse ponto amadureceu muito ao longo do caminho sinodal, permitindo-nos conhecer-nos e escutar-nos com maior profundidade nos contextos em que a comunidade diocesana vive e se configura”, disse ainda o Papa, convidando a “cultivar o desejo de achar o Ressuscitado, que sempre vai à nossa frente, nos precede e talvez já esteja presente onde ainda não O procuramos“.
Reaprender a arte espiritual da cordialidade
De acordo com o Papa, buscar o Senhor “e segui-Lo é a condição para indicá-Lo aos outros; caso contrário, não há evangelização. Hoje, podemos compreender isso melhor do que no passado”.
“Juntos, como Igreja diocesana, vocês podem oferecer o testemunho evangélico que desperta as melhores forças de uma humanidade bombardeada por imagens e palavras, mas faminta de justiça e sedenta de verdade”, disse ainda o Papa.
O papel dos conselhos paroquiais e diocesanos
A propósito do papel dos conselhos paroquiais e diocesanos, o Papa sublinhou que eles têm o objetivo de “transformar a sensibilidade de cada pessoa por meio de uma escuta mais profunda daquilo que o Espírito diz à Igreja”. “Eles são espaços de escuta recíproca para o exercício do discernimento, sem o qual não apenas cada um segue o seu próprio caminho, mas corremos o risco de não compreender onde o Senhor nos quer, o que espera de nós e a quais conversões nos chama”, destacou. “Quando cuidamos desses espaços, então o culto se transforma em vida e, entre as pessoas, surgem laços de fraternidade e projetos de solidariedade”, disse ainda o Papa Leão.
O Papa convidou “os presbíteros a reconhecerem a prática do discernimento comunitário como uma das maiores oportunidades que a sinodalidade oferece ao seu ministério”. Leão XIV concluiu, dizendo que “quando reduzimos a vida eclesial a uma rotina na qual cada um permanece fechado em seus hábitos e em seu papel, o que nos falta é o Espírito. É Ele quem suscita vocações e as une, provocando às vezes inquietação, debate e a busca de novos equilíbrios”.


