O bispo de Cuernavaca e presidente da Conferência episcopal, dom Ramón Castro Castro, expressa sua dor e consternação pelo assassinato do sacerdote, pároco da comunidade de Santa Cruz em Huejutla de Reyes, no norte de Hidalgo. “Pedimos que o Estado se comprometa a fortalecer as capacidades de prevenção, investigação e ação penal, bem como a garantir justiça e assistência às vítimas, reconstruindo também o tecido social”. Nos últimos anos, vários padres e leigos foram assassinados
Federico Piana – Vatican News
O corpo do padre Román de la Cruz Hernández, crivado de balas, estava deitado ao lado de uma picape vermelho-bordô, supostamente a dele, quando foi encontrado no último dia 15 de setembro na estrada entre as localidades de Lolotla e Tlanchinol, no estado mexicano de Hidalgo. Encostado ao corpo, havia um pedaço de papelão sobre o qual estava escrita uma mensagem que os investigadores, por enquanto, não quiseram revelar. Mas que lançou uma densa sombra de mistério sobre o assassinato do padre de 48 anos, pároco da comunidade de Santa Cruz em Huejutla de Reyes, no norte de Hidalgo, e coordenador da Comissão para a Pastoral Profética da Diocese de Huejutla.
Muitos casos não resolvidos
Assim como nos casos dos outros padres, leigos e agentes pastorais assassinados no México nos últimos dez anos, no início nunca surge um motivo claro e definido. Também neste caso, a Procuradoria-Geral abriu uma investigação que abrange várias e diversas linhas de investigação. A única certeza é que este caso, assim como os outros, foi mais uma vez como sal espalhado sobre uma ferida aberta: segundo dados do Centro Católico Multimídia (CEM), compilados em um relatório anual de 2025, nos sete anos anteriores, 13 padres foram assassinados e 3 desapareceram. O documento também registrou agressões contra bispos, leigos e agentes pastorais, alguns dos quais foram mortos ou sequestrados. Oitenta por cento dos casos documentados permanecem até hoje sem solução, e os inquéritos parecem não expor nenhum avanço.
Dados a serem interpretados
«Os dados devem ser interpretados com certa cautela, pois não existe um registro governamental único e específico sobre a violência contra padres, catequistas e agentes pastorais», mas, nesse contexto, uma das «principais fontes de monitoramento continua sendo o Centro Católico Multimídia», explica à mídia vaticana dom Ramón Castro Castro, bispo de Cuernavaca e presidente da Conferência Episcopal Mexicana. «Com o assassinato do padre Román, diversos meios de comunicação que atualizaram o registro do CCM indicam que quatro padres foram assassinados durante o atual governo federal, iniciado em 2024: Marcelo Pérez Pérez, Bertoldo Pantaleón Estrada, Ernesto Baltazar Hernández Vilchis e, justamente, o padre Román. O mesmo relatório menciona, para esse período, homicídios e agressões contra catequistas e leigos ligados à atividade pastoral. Em uma perspectiva histórica mais ampla, o CCM também documentou dezenas de homicídios de padres, religiosos e leigos desde 1990 até hoje”.
Evitar o confronto
Quando, em 15 de setembro, se espalhou a notícia da morte do pároco de Santa Cruz, a consternação e a dor de toda a Igreja mexicana foram imediatas. Dom Castro lembra que a Igreja se uniu imediatamente em torno da família da vítima, de seus irmãos sacerdotes e das comunidades que ele serviu durante seu ministério. E solicitou às autoridades uma investigação minuciosa que permita esclarecer os fatos e garantir justiça. Além disso, a própria comunidade eclesial “procurou evitar qualquer reação que pudesse alimentar o conflito ou a violência”. A dor pela morte do padre Román também se transformou em um apelo para não nos acostumarmos às injustiças, para reafirmar o valor de cada vida humana, para acompanhar as comunidades afetadas e para trabalhar na criação de condições sociais nas quais nenhuma pessoa tenha de viver sob a ameaça da violência”.
Contexto mais amplo
Os homicídios, os desaparecimentos e os ataques contra padres, leigos, agentes pastorais e comunidades cristãs devem ser interpretados dentro de um contexto muito mais amplo de insegurança que há muito tempo aflige a sociedade mexicana. O presidente da Conferência episcopal está certo disso: “No caso dos homicídios contra membros da Igreja, o objetivo pode ser interpretado como uma tentativa de forçar a Igreja e a ação social dos padres ao silêncio e ao medo. No entanto, não seria prudente atribuir todos os casos a uma única causa nem concluir automaticamente que se trata de uma perseguição religiosa. Os estudos disponíveis mostram uma relação significativa entre os atos de violência contra os agentes religiosos e os contextos territoriais em que se registram altos níveis de criminalidade, presença de organizações criminosas, disputas pelo controle do território, extorsões e outras formas de opressão. Um estudo acadêmico publicado em 2026, que analisa o período de 2006 a 2024, identifica uma coincidência entre as zonas com maior violência contra os agentes religiosos e aquelas em que ocorrem disputas entre organizações criminosas.”
Prevenção e investigações aprofundadas
Perante as instituições, os bispos continuam a pedir incessantemente que o Estado se comprometa a fortalecer as capacidades de prevenção, investigação e ação penal, bem como a garantir justiça e assistência às vítimas, reconstruindo também o tecido social. «Nesse sentido, estamos empenhados também por meio da iniciativa “colóquio Nacional pela Paz”, com a qual a Igreja busca envolver especialistas, vítimas, comunidades, povos indígenas, migrantes, organizações sociais, instituições e outras entidades religiosas para elaborar propostas e ações concretas. A pacificação do país exige a participação de múltiplos atores e responsabilidades diferenciadas. E a Igreja deseja assumir as suas com base no Evangelho, no serviço pastoral e no compromisso com a justiça, a verdade e a paz».

