Em 14 de setembro, Leão XIV lançará o primeiro capítulo da série de exposições de cinco anos “Catástrofe e Maravilha”. A mostra apresenta obras de três artistas contemporâneos — o artista JR, o tipógrafo Bill Moran e o chef Fulvio Pierangelini — em colóquio com o patrimônio e os espaços da Biblioteca Papal, numa reflexão sobre a água como ameaça e recurso.
Vatican News
No dia 14 de setembro, o Papa Leão XIV inaugurará AQVA, a mostra inaugural da série “Catástrofe e Maravilha”. Esta iniciativa marca um novo capítulo na história centenária da missão de conservação e divulgação da Biblioteca Vaticana, oferecendo uma ampla reflexão interdisciplinar sobre os elementos naturais como um espelho dos medos e esperanças da humanidade. Pensada como uma viagem através das ameaças que sempre pairam sobre o patrimônio bibliotecário — da água ao fogo, da luz aos insetos, à intervenção humana — a série, que se estenderá por vários anos, convida o público a transcender o medo e a descobrir novas possibilidades de leitura e criação. Os mesmos elementos que representam uma ameaça à memória coletiva tornam-se, assim, uma alegoria universal das grandes inquietudes do homem diante de tudo o que está fora do seu controle. O primeiro evento, AQVA, concentra-se na ambivalência da água: elemento gerador de vida e, ao mesmo tempo, força destrutiva.
História, ciência e linguagens
A exposição se desdobra como uma experiência imersiva que entrelaça história, ciência e linguagens contemporâneas, guiando o visitante de uma percepção inicial de ameaça a uma reconciliação progressiva com a natureza, um tema central no contexto da crise climática global que o planeta atravessa. A exposição abre com a monumental instalação Diluvium, do artista JR, instalada na fachada do século XVI, uma poderosa evocação da vulnerabilidade do conhecimento e da memória. O visitante explora então as conexões entre o patrimônio secular da Biblioteca Vaticana, o mundo aquático e as criações contemporâneas de Bill Moran e Fulvio Pierangelini, culminando na evocativa Sala Barberini, transformada num espaço de contemplação. O coração científico e simbólico da exposição é Aquatilium animalium historia (1557), de Ippolito Salviani, uma obra-prima que une conhecimento científico, a arte da gravura e a cultura gastronômica, apresentada em dois exemplares de valor extraordinário.
“A mostra AQVA é também uma oportunidade para celebrar os 470 anos da publicação, iniciada e financiada pela Biblioteca Vaticana, do belíssimo tratado sobre peixes do médico Ippolito Salviani, impresso em Roma em 1557”, afirma pe. Giacomo Cardinali, prefeito adjunto e comissário de Atividades de Exposição. Paralelamente, uma seleção excepcional de manuscritos, livros impressos, gravuras e objetos das coleções do Vaticano ilustra a antiga relação entre água e conhecimento: desde o De re coquinaria de Apício até os relatos de viagem de Giovanni Battista Ramusio, passando por bestiários marinhos e curiosidades numismáticas relacionadas ao mundo aquático. “Na convicção de que, diante do medo, é mais sábio parar e encará-lo, confiamos em três mentes criativas de extraordinária engenhosidade, que descobrem horizontes inesperados justamente naquilo que habitualmente nos aterroriza”, continua pe. Giacomo Cardinali.
Três protagonistas da cena contemporânea
Três protagonistas da cena contemporânea foram convidados a dialogar com esse patrimônio: JR criou duas instalações site-specific com forte impacto visual e emocional que questionam a relação entre natureza e cultura. “Há algo de quase místico nos livros. Esses objetos frágeis abrigam os pensamentos do mundo; carregam vozes, histórias e conhecimento através dos séculos. Sua força é imensa, assim como sua vulnerabilidade: o papel não oferece resistência aos elementos. Ao levar uma onda para a Biblioteca Vaticana, DILUVIUM e UNDAE confrontam esse paradoxo: O que pode sobreviver e o que escolhemos preservar?”, diz JR. Através de seus Letterfishes, Bill Moran transforma a tipografia numa linguagem visual, dando vida a criaturas marinhas compostas de letras, números e sinais paramétricos. “O privilégio de criar uma obra para a Biblioteca Vaticana me permitiu unir o passado ao presente, combinando os equipamentos tipográficos tradicionais da minha família e os tipos de madeira de época para criar novos e originais LetterFish”, diz Bill Moran.
Fulvio Pierangelini explora a relação entre água, culinária e memória por meio de relatos gastronômicos inéditos — verdadeiras declarações de amor pela matéria-prima, observada e tratada com respeito e dedicação, e temperada com um toque de ironia sofisticada. “Estou muito feliz por fazer parte deste projeto e da agenda a ele associada”, explica o chef Fulvio Pierangelini. “Tanto no projeto quanto na agenda, contarei histórias e receitas de peixes descobertos em um texto esplêndido que esta preciosa biblioteca guarda com infinito cuidado e sabedoria”.
Uma seção adicional, dedicada ao Laboratório de Restauração da Biblioteca Vaticana, encerra o trajeto da exposição. A água revela mais uma vez sua dupla natureza: causa de degradação, mas também instrumento fundamental para a conservação e a regeneração dos materiais bibliográficos. AQVA, com curadoria de padre Giacomo Cardinali, Simona De Crescenzo, Francesca Giannetto e Delio Proverbio, configura-se, assim, não apenas como uma exposição, mas como a primeira etapa de um projeto cultural capaz de conectar disciplinas, épocas e sensibilidades diferentes, oferecendo ao público uma reflexão profunda sobre o frágil equilíbrio entre catástrofe e maravilha, além de uma relevante contribuição para a conscientização sobre nossa relação com a natureza, que se torna ainda mais oportuna e urgente diante dos tempos críticos que vivemos. A mostra estará aberta ao público de 25 de setembro de 2026 até 14 de maio de 2027, às sextas-feiras e sábados, conforme calendário específico.
Parceiros e agradecimentos: o valor das colaborações
O projeto expositivo “Catástrofe e Maravilha” e a mostra inaugural AQVA são possíveis graças à colaboração institucional com a Fundação Roma e ao apoio do Banco Intesa Sanpaolo, parceiros estratégicos das iniciativas culturais da Biblioteca Apostólica Vaticana. Em particular, a Biblioteca Apostólica Vaticana e a Fundação Roma assinaram um memorando de entendimento que estabelece o início de uma geminação de três anos entre as duas instituições, baseada numa visão partilhada e numa missão comum de valorização, proteção e divulgação do patrimônio cultural e artístico. Os sinceros agradecimentos ao presidente da Fundação Roma, Franco Parasassi, pela sensibilidade demonstrada no apoio ao projeto e no fortalecimento do colóquio entre as instituições.
“Colaborar com uma instituição cultural tão prestigiada é motivo de profundo orgulho para nós, mas acima de tudo, um ato de responsabilidade para com a comunidade”, afirma Franco Parasassi, presidente da Fundação Roma. “O intercâmbio de três anos com a Biblioteca Apostólica Vaticana representa não apenas uma parceria de excelência, mas a concretização de uma visão compartilhada: tornar o patrimônio artístico e cultural um recurso acessível, capaz de inspirar, dialogar com o presente e estimular uma profunda reflexão sobre o nosso porvir. Com iniciativas extraordinárias como “AQVA. Catástrofe e Maravilha”, contribuímos com convicção para promover nossa missão comum de guardiões e divulgadores da cultura, garantindo que ela continue sendo um bem acessível a todos.”
A exposição AQVA renova, além disso, a parceria consolidada com o Banco Intesa Sanpaolo, que já foi protagonista do projeto do jubileu e foi confirmado como parceiro fundamental para o desenvolvimento das iniciativas expositivas da Biblioteca Apostólica Vaticana. Stefano Lucchini afirma: “Apoiar um projeto como o AQVA é uma grande honra para o Intesa Sanpaolo: significa contribuir para dar vida e tornar acessível um patrimônio extraordinário, promovendo o colóquio entre a memória guardada pela Biblioteca Apostólica Vaticana e as linguagens da contemporaneidade. É uma colaboração que expressa plenamente nosso compromisso com a cultura, o social e o meio ambiente, como instrumentos de conhecimento. Esses são os grandes desafios do presente para acompanhar os jovens a olhar para o porvir com consciência”.

