Papua Nova Guiné: o milagre da unidade eclesial no país das 800 línguas

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Missionários maristas, seguidos pelos Missionários do Sagrado Coração e pelos Padres do Verbo Divino (SVD), chegaram a Papua Nova Guiné a partir do final do século XIX. O Papa Francisco visitou o país da Oceania entre os dias 6 e 9 de setembro de 2024. A escala fez parte da sua 45ª viagem apostólica pela Ásia e Oceania, que também passou pela Indonésia, Timor-Leste e Singapura.

Vatican News

A Diocese de Bougainville, na Papua-Nova Guiné, prepara o encerramento das celebrações pelos 125 anos da chegada dos primeiros missionários católicos à região. O jubileu, iniciado para recordar a presença dos missionários maristas em Pokpok, em 1901, e Buin, em 1903, terá seu ponto culminante entre os dias 14 e 17 de agosto de 2026, na Região Norte. Atualmente, a diocese reúne mais de 200 mil católicos distribuídos em 35 paróquias, testemunhando o crescimento de uma Igreja que atravessou períodos de guerra, conflitos civis e profundas transformações sociais.

O encerramento contará com a visita pastoral do cardeal Luis Antonio Tagle, que presidirá a Missa solene do Jubileu no dia 16 de agosto, na Catedral de Nossa Senhora da Assunção, em Hahela. Durante os quatro dias em Buka, o purpurado, que exerce a função de pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, também visitará comunidades paroquiais e iniciativas de assistência à saúde, encontrará lideranças regionais e abençoará um novo prédio diocesano.

Em entrevista à Agência Fides, o padre Christian Sieland, diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias, destacou que a história da evangelização da Papua-Nova Guiné é também marcada pela passagem de uma Igreja subordinado de missionários estrangeiros para uma Igreja cada vez mais conduzida pelo clero local.

Sieland, que cresceu na Papua-Nova Guiné em uma época em que cerca de 90% do clero era formado por missionários estrangeiros, considera que respeito e gratidão são valores fundamentais para preservar a herança cultural do país e aprofundar a inculturação do Evangelho. Segundo ele, a fé já criou raízes, mas precisa avançar na metamorfose de problemas sociais como acusações de feitiçaria, poligamia, violência e conflitos tribais. Sua própria vocação sacerdotal nasceu do contato com os missionários da Sociedade do Verbo Divino durante um período de serviço voluntário no país, entre 1999 e 2000, além do testemunho de sua família católica. Para ele, a atual geração vive um momento decisivo: assumir plenamente a responsabilidade por uma Igreja local com identidade cristã e melanesiana.

A história da evangelização, afirma o sacerdote, passou por diferentes gerações. Depois das primeiras estações missionárias, a Igreja contribuiu não apenas para a difusão do Evangelho, mas também para a criação de escolas, serviços de saúde e estruturas sociais. A partir dos anos 1990, houve um crescimento significativo das vocações indígenas, ampliado na década seguinte.

Em um país com mais de 800 línguas e grupos étnicos, o sacerdote considera a identidade cristã um dos principais fatores de unidade nacional. A Igreja, segundo ele, possibilita que pessoas de tribos historicamente rivais convivam e trabalhem juntas, enquanto escolas, centros de saúde e iniciativas pastorais são oferecidos sem distinção de origem tribal.

Entre os desafios permanece a presença de crenças tradicionais relacionadas à feitiçaria e ao mundo dos espíritos, além da violência doméstica, da poligamia e das guerras tribais. A Igreja procura enfrentar essas situações por meio de centros pastorais, formação de lideranças, apoio às vítimas, mediação de conflitos e iniciativas de reconciliação.

Padre Sieland cita como símbolo dessa unidade São Pedro To Rot, catequista e mártir da Papua-Nova Guiné, canonizado pelo Papa Leão XIV em 19 de outubro de 2025, cuja origem tribal e regional é superada, na memória dos católicos, por sua identidade como cristão.

Apesar dos desafios, o sacerdote manifesta confiança no porvir: a diversidade cultural, quando acolhida e integrada pelo Evangelho, pode deixar de ser fonte de divisão e tornar-se uma riqueza para a construção da comunhão, da reconciliação e da unidade no país.

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