Em São Tomé e Príncipe, o Governo decretou a 16 de maio, três dias de Luto Nacional pela morte, na véspera, da renomada poeta e jornalista, Conceição de Deus Lima. Ela tinha 64 anos de idade e era considera a voz mais celebrada da literatura santomense, com obras traduzidas em várias línguas. Muitas as reações de consternação e tristeza pelo seu desaparecimento físico. Devia estar à frente, em julho próximo, da Conferência Internacional sobre o Centenário de Nascimento de Alda Espírito Santo.
Dulce Araújo – Vatican News
As duas ilhas equatoriais de São Tomé e Príncipe choram a morte desta sua ilustre filha. E o governo não ficou indiferente. Decretou, a 16 de maio de 2026, três dias de luto nacional pela morte, na véspera, desta renomada poeta e jornalista: Conceição de Deus Lima. Ela tinha 64 anos de idade e era considera a voz mais celebrada da literatura santomense, com obras traduzidas em várias línguas, nomeadamente para o alemão, árabe, checo, espanhol, francês, galego, inglês, italiano, neerlandês, servo-croata e turco.
Conceição tinha sido nomeada pelo Governo, Embaixadora da Cultura são-tomense em setembro de 2025 e as suas obras foram galardoadas no Brasil e nos Estados Unidos da América. Ela organizou a primeira conferência nacional sobre Alda do Espírito Santo em 2025, impulsionou e devia abrir e coordenar a Conferência Internacional sobre a Alda, programada para 2 a 6 de julho próximo, em São Tomé, no âmbito do Centenário de Nascimento da Alda Espírito Santo, poeta e combatente pela libertação de São Tomé e Príncipe do jugo colonial português.
Segundo diversas fontes, a Conceição sentiu-se mal pela manhã do dia 15 e, levada ao hospital, acabou por falecer pouco depois repentina e prematuramente.
Ela foi membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses (UNEAS) e, em 2021, foi nomeada coordenadora nacional, para São Tomé e Príncipe, do Movimento Poético Mundial.
Maria da Conceição Costa de Deus Lima nasceu no sul da ilha de São Tomé, em Santana, onde cresceu e fez os estudos primários e secundários. Mais tarde, estudou jornalismo em Portugal e obteve a Licenciatura em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres, cidade onde obteve também o Mestrado em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS).
Em Londres trabalhou como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC, British Broadcasting Corporation.
Em São Tomé e Príncipe Conceição exerceu cargos de direção na Rádio, Televisão e, na imprensa escrita, fundou, em 1993, o agora extinto semanário independente O País Hoje, de que foi diretora.
Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países.
De entre as suas obras mais conhecidas, destaque para A dolorosa raiz do Micondó; O Mundo visto do meio; Quando os Ca~es deixam de falar.
A ela dedicaremos a emissão “África em Clave Cultural: personagens e eventos” de quinta-feira, 21 de maio de 2026.

