Conclui-se, neste sábado, 12, na lar Geral de La Salle, em Roma, o IV Encontro Sinodal “Fratelli Tutti: colóquio Socioambiental Norte-Sul”, promovido pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), CELAM e USCCB. Em sua intervenção, o Cardeal brasileiro, Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e Presidente do CELAM, disse: “Há uma necessidade urgente de espaços para a escuta e o colóquio. A ecologia integral é um horizonte impossível de esquecer”.
Sebastián Sansón Ferrari e Lorena Leonardi – Vatican News
Ouvir para compreender, dialogar para construir e caminhar juntos diante de desafios, que não podem ser mais enfrentados isoladamente. Sob este prisma, representantes da Igreja, do mundo do trabalho, das empresas e da sociedade civil se reuniram em Roma, durante três dias, para o IV Encontro Sinodal “Fratelli Tutti: colóquio Socioambiental Norte-Sul”. A iniciativa, que teve início na última quinta-feira, 10, na lar Geral de La Salle, visa consolidar um espaço de colóquio entre o Norte e o Sul do mundo, sobre questões sociais e ambientais, com atenção especial ao trabalho, a transição ecológica e as novas tecnologias.
Fruto da cooperação
Os trabalhos que serão coroados, neste sábado, 12, no Vaticano, com uma audiência de Leão XIV, representam um processo de cooperação entre a Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB). O evento dá continuidade a um processo inspirado pela encíclica do Papa Francisco sobre “Fraternidade e amizade social”, iniciado em 2023 e, depois, desenvolvido em Bogotá e Washington.
Método sinodal
Segundo o Cardeal brasileiro Jaime Spengler, arcebispo franciscano de Porto Alegre e presidente do CELAM, a sinodalidade pode transcender os limites da comunidade eclesial: “Trata-se de uma metodologia de colóquio e escuta. Em um tempo, marcado por uma transição complexa, é urgente, portanto, reunir as melhores forças da sociedade e criar espaços, onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas, buscando melhores condições de vida para todos”.
O Presidente do CELAM acha que esta dimensão da sinodalidade corresponde, precisamente, com uma necessidade do mundo contemporâneo: “Precisamos, com urgência, de espaços para a escuta e o colóquio”.
Por sua vez, Anthony J. Granado, Secretário-geral adjunto da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), concorda com a importância de aplicar este método a todos os níveis: “O colóquio deve chegar àqueles lugares onde são tomadas as decisões políticas e econômicas. A Igreja, desde a paróquia até Bispo, quer levar o Evangelho ao mundo, mediante a promoção do bem comum”.
A ecologia tutela o porvir
Entre os grandes temas da agenda destaca-se o da transição ecológica, com uma análise das condições necessárias, para que seja realmente justa. Para o Cardeal Spengler, o ponto de partida consiste em uma perspectiva ampla, que leve em consideração todas as partes interessadas, inclusive as comunidades indígenas. Assim sendo, ele coloca duas questões no centro do discernimento: “Que tipo de mundo queremos deixar para as futuras gerações? Como podemos colaborar para que haja um mundo melhor? Neste interim, a Igreja pode oferecer uma contribuição baseada na tradição da Doutrina Social, levando em consideração a ‘transparência, a coragem e a determinação’, necessárias para criar espaços capazes de traduzir tais princípios em iniciativas concretas”. Em relação ao desafio, apresentado pela inteligência artificial, segundo o Cardeal Spengler, “pode servir tanto para promover a vida quanto para a redução do ser humano”.
Por um colóquio permanente
Para os participantes norte-americanos, o encontro sinodal não termina com a reunião de Roma, pois um dos principais compromissos será levar as conclusões para as Igrejas locais e as diferentes esferas da sociedade, a fim de transformar o colóquio em uma dinâmica contínua nas paróquias, comunidades, instituições políticas, empresas e organizações da sociedade civil.
O arcebispo de Porto Alegre acrescenta ainda: “A Igreja e o Governos podem lançar, juntos, iniciativas voltadas para o cuidado e a promoção da vida”. Jill Rauh, diretora executiva da secretaria ‘Justiça e Paz’ da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), também destaca o papel da Igreja de unir as pessoas “para realmente identificar valores comuns e abordar conjuntamente o que poderia parecer polaridades em questões sociais e ambientais”. Enfim, migração, meio ambiente, trabalho e inteligência artificial parecem ser realidades inter-relacionadas.
Dom Leonardo Steiner, presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), chama a atenção para uma ecologia integral, horizonte aberto pelo Papa Francisco, “impossível de esquecer; e junto com os povos da floresta, “deve ser levada a sério, pois todos viemos do mesmo ventre”.
Dar voz a quem não a tem
O Bispo Daniel Flores, vice-presidente da USCCB, falou sobre a complexidade da Igreja americana: “Devemos fazer o possível para garantir que esta diversidade demonstre a unidade da Igreja, em primeiro lugar, mas também que possa dar voz a quem não tem, criando espaços para o colóquio e a escuta, sobretudo, para os que têm pouco poder no mundo”. De um ponto de vista católico, o Bispo acrescenta” “A história não está ligada às decisões de quem tem mais poder. Há também amizade social, senso de justiça e igualdade, mas devemos dar a essas vozes a oportunidade de se expressarem”.
Em perspectiva da solidariedade
O Bispo Reginald Andrietta, coordenador da “Rede de Trabalho Organizado” do CELAM, expressa um “profundo desejo de integração” e progresso, alcançado pelo “colóquio, cada vez mais amplo, com a América do Norte, com o objetivo de construir pontes que criem unidade: vivemos em um mundo globalizado; por isso, devemos superar as culturas da indiferença e da competição, o individualismo e a tecnocracia”. Enfim, o Bispo conclui: “A partir de nossos encontros, queremos construir um humanismo baseado em uma perspectiva cristã de encontro e solidariedade”.

