Incêndios na Europa: a resposta da Igreja na Espanha aos 325 mil desabrigados

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Nas áreas mais afetadas de Madri, padres e paróquias acompanham as operações de evacuação, ajudando especialmente os idosos que vivem sozinhos e oferecendo assistência humana e espiritual nos centros de acolhimento. Na diocese de Getafe, o bispo Beltrán acompanha constantemente a evolução da situação.

Sebastián Sanson Ferrari – Vatican News

“Que Deus desperte em todos nós a solidariedade, o cuidado com a criação e a esperança em meio às dificuldades”, assim reza a intenção proposta pela Arquidiocese de Madri nestes dias dramáticos para o país. Toda a Igreja espanhola está acompanhando, com oração e proximidade pastoral, as comunidades atingidas pelos incêndios que se alastram em diversas regiões do país. Em particular, o cardeal José Cobo, arcebispo de Madri, pediu que, durante as celebrações eucarísticas destes dias, seja incluída uma intenção especial na oração dos fiéis para pedir ao Senhor o fim dos incêndios e consolo e força para todas as pessoas afetadas. Ainda neste domingo (26/07), de Castel Gandolfo, o Papa Leão XIV manifestou solidariedade com a situação nas diversas localidades da Espanha e da França, convidando “todos a rezarem pelas pessoas afetadas e pelo trabalho das equipes de resgate”.

As últimas atualizações

O balanço atualizado nas últimas horas é dramático: já são mais de 325 mil desabrigados devido aos incêndios que estão devastando a Espanha e a França. A situação mais grave é registrada no sudoeste da França, onde o vasto incêndio na Gironda forçou a evacuação de cerca de 220 mil pessoas e se estendeu até 15 quilômetros de Bordeaux. Segundo as autoridades francesas, desde o início do ano já foram consumidos pelas chamas cerca de 115 mil hectares de vegetação, enquanto o governo continua definindo como “muito crítica” a situação em Gironda, Landes e Var.

Nesta segunda-feira (27/07), o presidente Emmanuel Macron convocou uma reunião da unidade de crise interministerial para coordenar a resposta à emergência. As autoridades falam de uma ligeira estabilização da situação durante a noite, mas o alerta permanece alto diante do novo aumento das temperaturas previsto para os próximos dias. O balanço provisório indica pelo menos 240 residências destruídas na Gironda, três bombeiros mortos e 84 feridos, enquanto não há registro de vítimas entre a população.

Mais de 90 mil evacuados

Na Espanha, por outro lado, mais de 90 mil pessoas continuam evacuadas ou confinadas nas regiões de Madri, Ávila e Toledo. O incêndio em Ávila é considerado o maior da história recente do país e, juntamente com o da Comunidade de Madri, já devastou mais de 77 mil hectares. Outra frente relevante permanece ativa na província de Castellón, onde cerca de 6.500 hectares foram queimados e 16 mil pessoas tiveram que abandonar as casas. O incêndio, que iniciou na quarta-feira, 22 de julho, no município de Almorox, em Toledo, se espalhou em poucas horas para várias localidades da região de Madri, enquanto outro foco surgiu em San Martín de Valdeiglesias depois que um veículo pegou fogo na estrada M-501. Na sexta-feira, 24 de julho, também foram evacuados os municípios de Robledo de Chavela, Fresnedillas de la Oliva, Navalagamella e Zarzalejo.

Nessas localidades, os párocos colaboraram na evacuação de idosos que moravam sozinhos, enquanto o Vicariato VII da Arquidiocese de Madri continua acompanhando atentamente a evolução dos incêndios. Padres e paróquias permaneceram ao lado das comunidades afetadas, acompanhando aqueles que tiveram que deixar as casas e colocando-se a serviço das pessoas mais necessitadas. Vários padres dirigiram-se aos centros habilitados para acolher os desabrigados, oferecendo apoio humano e espiritual.

A situação na diocese de Getafe

A diocese de Getafe também continua acompanhando de perto as populações afetadas pelos incêndios que atingiram vários municípios do sudoeste da Comunidade de Madri. Mais de 19 mil pessoas foram evacuadas de localidades como Aldea del Fresno, Navas del Rey, Chapinería, Colmenar del Arroyo, Pelayos de la Presa e de várias áreas de Villa del Prado e San Martín de Valdeiglesias, enquanto outros municípios permanecem sob vigilância rigorosa. O bispo de Getafe, dom Ginés García Beltrán, acompanha com preocupação a evolução dos incêndios e expressou gratidão aos serviços de emergência pelo trabalho realizado. O bispo auxiliar, dom José María Avendaño Perea, mantém contato constante com os arciprestes e os padres das áreas afetadas para se informar sobre a situação das comunidades e se colocar à disposição de quem precisar de ajuda. Também o vigário geral Javier Mairata e o vigário da Caridade Aurelio Carrasquilla acompanham a evolução da emergência, mantendo contato com os padres das localidades afetadas pelos incêndios e das áreas vizinhas.

A resposta das paróquias

A resposta das paróquias também se traduziu em ajuda concreta. O arcipreste de San Martín de Valdeiglesias e pároco de Navas del Rey, Juan Antonio Rodríguez Beltrán, explicou que os sacerdotes e as paróquias colocaram recursos à disposição das pessoas afetadas, chegando até a oferecer as próprias casas “para qualquer necessidade, desde um banho até uma cama”. Em Villa del Prado, o pároco da igreja de Santiago Apóstolo, Víctor Marmolejo, dirigiu-se ao ginásio municipal para estar ao lado dos moradores evacuados. Em San Martín de Valdeiglesias, o pároco Juan Manuel Vivar colocou à disposição da prefeitura e da população as instalações paroquiais e os recursos da Cáritas ainda antes da evacuação completa da cidade. Além disso, em Rozas del Puerto Real, o incêndio tornou necessária a evacuação do Colégio Seminário, onde cerca de 250 jovens participavam de um acampamento de verão junto com o reitor Eliert Jerez e outros sacerdotes da diocese. Durante o verão, a instituição costuma sediar acampamentos paroquiais como o que estava em andamento quando chegou a ordem de evacuação imediata.

A Igreja de Ávila ao lado das populações afetadas

A emergência também atinge a província de Ávila, onde o bispo, dom Jesús Rico García, expressou consternação pelo grave incêndio que, tendo se iniciado em Burgohondo, se espalhou por vários municípios, atingindo também a Reserva Natural do Vale de Iruelas, um dos espaços naturais de maior valor da província. O bispo manifestou solidariedade aos moradores evacuados e às pessoas afetadas na região da bacia do Burguillo, de El Tiemblo e de outras localidades e aldeias vizinhas. Além disso, expressou reconhecimento às equipes de combate a incêndios, às forças de segurança e aos serviços de emergência empenhados no combate às chamas e na proteção da população e das residências.

A diocese de Ávila colocou à disposição de quem precisar seus recursos materiais e humanos, por meio das paróquias e dos padres das áreas afetadas, com o objetivo de acompanhar e ajudar as famílias de todas as formas possíveis. Dom Rico confiou à proteção da Virgem todos aqueles que estão envolvidos na emergência e elevou uma oração pelos moradores, pela segurança dos que combatem o incêndio e por um ligeiro fim da emergência. Além disso, convidou toda a diocese a permanecer unida neste momento de particular dificuldade.

De Madri e Ávila, assim como das comunidades de Getafe mais diretamente afetadas, a Igreja continua, portanto, presente ao lado daqueles que estão vivendo a incerteza provocada pelos incêndios. A oração e a solidariedade concreta se unem ao compromisso de acompanhar os desabrigados, apoiar as famílias e colaborar, por meio das paróquias e das comunidades cristãs, com todos aqueles que estão empenhados em enfrentar a emergência.

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