A Congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, fundada em São José dos Campos (SP) pela Venerável Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico, completa 90 anos neste dia 08 de novembro. O tema escolhido, “Dar-nos no serviço da Eucaristia do altar e da Eucaristia do pobre”, é um convite a aprofundar o carisma eucarístico e o serviço aos mais necessitados.
Ir. Ruth Santana – Vatican News
“Celebrar 90 anos, celebrar este jubileu, tem sido uma graça extraordinária”, é como descreveu Madre Vilma Marlene de Andrade, Superiora Geral da Congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, a vivência do ano jubilar, que teve início em 08 de novembro de 2025, e se encerra com as celebrações deste domingo (08), dia em que o instituto religioso completa 90 anos de fundação.
A Congregação, que é brasileira e de Direito Pontifício, atua na área da saúde, no cuidado aos enfermos e idosos, e em atividades pastorais. Traz, em sua essência, a missão de “ser reflexo da Eucaristia no mundo”, nas palavras da fundadora, a Venerável Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico. O tema escolhido pelas religiosas para iluminar o ano celebrativo partiu dessa dimensão eucarística: “Dar-nos no serviço da Eucaristia do altar e da Eucaristia do pobre”, retirado de uma das conferências da fundadora dirigida às irmãs.
Ao longo do ano jubilar, foram propostas leituras para aprofundar a história e o carisma, uma peregrinação a Aparecida, junto a amigos e colaboradores, celebrações locais em cada comunidade religiosa e a reflexão do tema escolhido, para torná-lo parte da vida de cada irmã de modo mais profundo.
O início dessa história: a jovem Dulce e a compaixão pelos que sofrem
Foi em 1922, no contexto da epidemia da tuberculose no Brasil, que a jovem professora paulistana Dulce Rodrigues dos Santos, após contrair a doença, aos 21 anos de idade, sai de São Paulo, capital, e muda-se para São José dos Campos(SP), em busca de tratamento.
Os pensionatos e sanatórios da cidade eram o destino de tuberculosos oriundos de diferentes estados do Brasil, já que era considerada uma estância climática e apresentava um clima favorável para a recuperação da doença, para a qual ainda não existia medicamento. Lá, Dulce se deparou com a realidade de muitos doentes pobres que viviam abandonados nas ruas, sem esperança de cura.
O medo do contágio também fazia com que muitos tuberculosos, que já estavam separados de suas famílias, sofressem preconceito e fossem impedidos de frequentar certos lugares e serviços da cidade. A jovem Dulce, que nutria o desejo de ser religiosa, mesmo em tratamento, movida pela compaixão, passou a visitar os mais pobres, cuidar deles e levar palavras de conforto.
Nasce uma congregação
Cresceu em Dulce o desejo de criar um pensionato com ambiente favorável para as jovens moças tuberculosas, seja no aspecto exterior como também ética. Em 1927, começou seu primeiro pensionato para moças, onde era cultivado um ambiente familiar, o cuidado com a saúde física, mas também o crescimento nas virtudes. Algumas jovens que se recuperavam tinham o desejo de seguir os mesmos passos de Dulce, ajudando na obra que crescia.
Dom Epaminondas Nunes d’Ávila e Silva, bispo de Taubaté, diocese à qual pertencia São José dos Campos, tomou conhecimento do trabalho realizado por Dulce. Ele já desejava que houvesse em sua diocese uma congregação religiosa dedicada aos doentes, especialmente os tuberculosos, então propôs que ela escrevesse como pensava que deveria ser.
Ele, como bispo, acompanhou o início da associação, orientou Dulce, autorizou o uso de uniformes ao primeiro grupo de irmãs, escolheu o nome da Congregação, e também um nome religioso para Dulce, que passaria a se chamar Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico. Dom Epaminondas ajudou com todos os documentos necessários para a fundação, mas faleceu, em 1935, antes de chegar a aprovação da Santa Sé. Ele partiu, mas suas palavras permaneceram: – “Se a obra for de Deus, ela não perecerá”.
Ainda em 1935, foi inaugurado o Sanatório Maria Imaculada, onde era possível atender mais pessoas, e dar melhor assistência. Em junho de 1936, a Santa Sé aprovou as regras da Congregação e, em 08 de novembro do mesmo ano, foi realizada a Ereção Canônica.
A missão hoje
Noventa anos depois desse dia, as religiosas recordam a história percorrida, as primeiras irmãs que doaram suas vidas, os esforços ao longo dessas décadas, com a expansão para outras cidades e estados do Brasil, sem perder a essência do carisma recebido por Deus – a adoração eucarística, a imitação de Nossa Senhora, a oração pela santificação dos sacerdotes e o cuidado com os enfermos.
Atualmente a Congregação está presente em três estados brasileiros – Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo – e mais dois países, além do Brasil – Portugal e Moçambique. Ao todo são 25 comunidades religiosas e mais de 150 irmãs, atuando em cinco hospitais, cinco instituições de longa permanência para idosos, uma lar de acolhida para pacientes com câncer e seus familiares, duas missões humanitárias em Moçambique, além das atividades pastorais.
Celebração do Jubileu nas comunidades
Cada comunidade religiosa, ao longo do ano jubilar, organizou localmente um momento celebrativo com a Santa Missa em ação de graças pelos 90 anos de história, junto aos fieis, colaboradores e sacerdotes que convivem e participam da vida das irmãs nas cidades em que estão presentes.
Madre Vilma esteve presente em todas as celebrações no Brasil, e afirma: “percorrendo as comunidades, nós vimos com felicidade, com gratidão como que o carisma da fundadora está sendo vivenciado com fidelidade, com dedicação, nas diversas missões onde nos encontramos.”
Para a superiora geral, no ano jubilar também é relevante rever os passos para percorrer “um caminho que exige criatividade, conversão, busca de santidade, um olhar sobre as novas formas de vivenciar esse carisma”
Em Moçambique, onde há duas comunidades religiosas, na Missão de Dombe e em Dómuè, foi organizado – na Paróquia São Pedro Claver – um festival de coros, e contou com a participação de cinco grupos, os mesmos compuseram cantos sobre o trabalho de nossas irmãs em Moçambique, a fundadora e a celebração dos 90 anos.
Os frutos do ano jubilar para a Igreja
A Santa Missa na Catedral São Dimas, em São José dos Campos-SP, no dia 08 concluirá o ano jubilar de 90 anos, mas os frutos permanecerão, e sobre eles a superiora geral, Madre Vilma partilha:
“Eu diria que os frutos que nós podemos esperar deste ano jubilar são consequentemente os frutos do Espírito, a caridade, a fé, a mansidão, a bondade etc., sendo expressos de maneira concreta, visível, no serviço ao próximo. Que em todas as nossas comunidades se possa ver a bondade de Deus expressa através de nós.
Que em todas as nossas comunidades, todas nós possamos experimentar o amor de Deus sendo derramado em nossos corações, nos dando a força necessária para, com felicidade, realizarmos este sonho de Deus para nós como congregação. E que a igreja possa cada vez mais, e de forma abundante, colher estes frutos.”


