Os cerca de 2 mil habitantes da cidadezinha ucraniana sob controle russo foram transferidos para um local seguro, distante dos combates. O sucesso dessa operação humanitária não resolve o complexo jogo diplomático em busca de uma solução para o conflito.
Vatican News
Um pequeno raio de esperança em uma guerra que não conhece trégua. Pela primeira vez após meses de isolamento e cerco, os civis de Oleshky, cidade no sul da Ucrânia, na região de Kherson, sob controle das forças russas, puderam deixar a zona de combate graças ao cessar-fogo temporário acordado nos últimos dias entre Moscou e Kiev. A operação humanitária, iniciada nesta sexta-feira (30/10), transcorreu sem incidentes, representando um episódio significativo de cooperação humanitária entre os dois países após mais de 4 anos de invasão militar russa.
A mediação dos EUA e da Santa Sé
A apoiar o acordo, houve também uma complexa iniciativa diplomática que envolveu o Papa Leão XIV e os Estados Unidos. O Pontífice havia feito um apelo direto a Vladimir Putin e, posteriormente, a Volodymyr Zelensky, pedindo uma trégua para permitir a entrada de ajuda alimentar e medicamentos e garantir a evacuação voluntária e segura da população. A lar Branca, por sua vez, conduziu uma iniciativa de mediação, com um papel significativo de Melania Trump.
Oleshky, onde cerca de 2 mil habitantes estavam presos, vive há algum tempo uma situação dramática, entre falta de água, alimentos e medicamentos, bombardeios e dificuldades nas conexões com as áreas vizinhas. A cidade, situada na margem oriental do rio Dnipro, está sob controle russo desde o início da invasão em grande escala na Ucrânia, em fevereiro de 2022. As operações também previram a entrega de bens de primeira necessidade e a organização de corredores para permitir que os moradores escolhessem entre se dirigir a territórios controlados por Kiev ou se transferir para a Federação Russa.
Os ataques em outras regiões
O sucesso da operação, no entanto, não representa uma mudança de estratégia na frente militar. A trégua diz respeito exclusivamente a Oleshky e não resultou em uma suspensão geral das hostilidades. Enquanto os civis eram evacuados, os ataques russos continuavam em outras regiões do país. Kiev, Sumy e Kharkiv continuam entre as áreas mais expostas aos bombardeios e às incursões de drones. Nas últimas ofensivas, foram atingidos centros populacionais, infraestruturas civis e de transporte, causando vítimas e feridos.
A diplomacia europeia
No plano diplomático, entretanto, a União Europeia reiterou a disposição de participar de negociações para pôr fim à guerra. De Bruxelas, porém, chegou uma mensagem clara: a UE está pronta há tempo para sentar-se à mesa, mas aguarda que Moscou demonstre, com fatos concretos, que realmente deseja chegar a um acordo. A Comissão Europeia confirmou que a União vem se preparando há tempo para um eventual envolvimento nas negociações, ressaltando que a condição indispensável é uma disposição real da Rússia em discutir o fim do conflito. Também a Alta Representante da UE para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, que interveio no G20, acusou Moscou de não mostrar sinais concretos de abertura, exigindo um cessar-fogo imediato, completo e incondicional.
A reunião do G20 dos ministros das Relações Exteriores em Miami
Justamente a reunião do G20 dos ministros das Relações Exteriores, realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, tornou-se um novo palco de acirrado confronto entre a Federação Russa e o Ocidente. No centro das atenções, a presença do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergej Lavrov, convidado pelo secretário de Estado americano Marco Rubio. Sua participação provocou fortes tensões com diversos representantes europeus, contrários à normalização das relações com Moscou enquanto a invasão militar da Ucrânia continua. A tradicional foto de grupo dos ministros foi cancelada por decisão dos organizadores após objeções de alguns delegados, que não queriam aparecer ao lado do representante do Kremlin.

