Passados seis meses da inauguração da Fazenda da Esperança Feminina (FEF) na ilha cabo-verdiana de Santiago para a reinserção de mulheres com histórias marcadas pelo álcool e outras drogas, a vontade de se libertar dos vícios é visível.
Rádio Nova de Maria – Cabo Verde
Quem o diz é Luzia Miguel, missionária angolana de 21 anos, que deixou o seu país natal para abraçar o desafio de apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade em Cabo Verde, promovendo a sua reintegração social e espiritual, cujo trabalho assenta na reabilitação através da mudança de comportamento e reconstrução de projetos de vida.
A missionária explica como funciona a dinâmica de acolhimento desde fevereiro deste ano (2026) para as mães grávidas e ou com filhos pequenos até cinco anos e uma rotina diária que começa bem cedo e vai até às 22 horas.
Espiritualidade, trabalho e convivência, um “tripé” que funciona garante a religiosa. Luzia Miguel admite que a convivência requer mais trabalho numa lar que neste momento tem 14 mulheres dos 23 aos 60 anos e três crianças orientadas por duas missionárias.
A FEF já registou 3 desistências, não consecutivas. Conforme a responsável as visitas dos familiares iniciam após os três meses de triagem. Através desta entrevista, a religiosa deixa uma mensagem.
Água e eletricidade são os maiores desafios que a Instituição continua a registar.
Esta primeira unidade de recuperação conta com o apoio da Associação “Esperança Viva”, um grupo composto por voluntários e pelos próprios recuperados. O sustento da comunidade é garantido através de doações e de uma contribuição das famílias das internas, embora Luzia Miguel sublinhe que ninguém deixa de ser acolhido por falta de recursos.
A Fazenda está localizada em São Martinho Pequeno, a cerca de 500 metros da Cadeia Central da Praia, a infra-estrutura foi inaugurada numa cerimónia presidida pelo cardeal Dom Arlindo Gomes Furtado que ressaltou na homília a importância do trabalho de resgate dos acolhidos, não apenas dos vícios das drogas, mas sobretudo, da dignidade humana.
O ato da inauguração coincidiu com as celebrações dos 493 anos da criação da Diocese de Santiago de Cabo Verde.


