Por ocasião do início dos debates da 81ª sessão plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, a organização humanitária lança um apelo em prol da educação nos países mais vulneráveis
Vatican News
Bastam mais ou menos 72 horas para que os subsídios globais à produção de combustíveis fósseis atinjam e ultrapassem o valor necessário para garantir cinco anos de educação a 750 milhões de crianças, ou seja, cerca de um terço de todas as crianças do mundo. É exatamente esse dado incrível que emerge da última pesquisa da Save the Children – a organização que, há mais de um século, se dedica a proteger as crianças e salvar seu porvir. A análise foi apresentada por ocasião do início dos trabalhos da 81ª sessão plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde chefes de Estado e de governo do mundo inteiro estão se pronunciando nestes dias. De fato, nos próximos dias, será realizada a cúpula para o refinanciamento da Parceria Global para a Educação (GPE), que terá como meta arrecadar pelo menos 5 bilhões de dólares para apoiar a educação em 96 países no período de 2026 a 2030.
Subsídios de 725 bilhões para combustíveis fósseis
De acordo com dados publicados em dezembro de 2025 pelo Fundo Monetário Internacional e divulgados pela Save the Children, ao longo de todo o ano de 2024, os governos no mundo inteiro acumularam gastos de nada menos que 725 bilhões de dólares em subsídios diretos aos combustíveis fósseis. Esses auxílios financeiros traduzem-se, essencialmente, em incentivos fiscais, empréstimos a juros reduzidos e redução dos custos de produção, extração, transporte e consumo de carvão, petróleo e gás natural. Um valor imenso, que equivale a 145 vezes mais do que os 5 bilhões necessários à GPE para garantir o direito à educação. O uso de combustíveis fósseis para aquecimento, eletricidade, transporte, produção industrial e construção civil torna-se, assim, o principal responsável pela crise climática e pelo consequente aumento das temperaturas, que já atingiram um nível tal a ponto de serem consideradas a maior ameaça à educação de milhões de crianças. Um exemplo claro foi a enchente ocorrida em agosto passado no Nepal (causada pelo desabamento parcial de uma geleira), que interrompeu o trajeto escolar de milhares de alunos.
Enfrentar uma crise sem precedentes
“O mundo enfrenta, neste momento, uma crise sem precedentes na área da educação, que precisa urgentemente de investimentos. Os líderes mundiais não têm problema em gastar dinheiro público para financiar subsídios aos combustíveis fósseis – investimentos que estão alimentando a crise climática e agravando a crise educacional. No entanto, quando se trata de financiar ajuda e medidas para a educação, os orçamentos são reduzidos”, declarou Marian Hodgkin, diretora de educação da Save the Children, que em seguida lembrou que “o dinheiro existe. A questão é em que escolhemos investir: nas indústrias por trás da crise climática ou nas crianças que a herdarão”. Além dos 5 bilhões de fundos destinados à Parceria Global para a Educação, a Save the Children solicitará mais 600 milhões de dólares durante o evento de refinanciamento “Education cannot wait” (ECW) – A educação não pode esperar -, o fundo das Nações Unidas para a educação em áreas afetadas por emergências e crises prolongadas, programado para novembro —, a fim de garantir que outros 10 milhões das crianças mais vulneráveis do mundo possam continuar estudando.
Um problema generalizado
Os dados da ONU para 2025 registraram mais de 273 milhões de crianças e adolescentes sem qualquer acesso à escola, dos quais 79 milhões no ensino fundamental, 64 milhões no ensino médio (1º e 2º anos) e 130 milhões no ensino médio (3º ano). Já a última análise do Unicef identificou a crise climática como responsável por interrupções nas aulas para mais de 171 milhões de alunos, com as tempestades liderando a lista de eventos climáticos perigosos, afetando nada menos que 109 milhões de crianças. A Save the Children continua trabalhando em parceria com a GPE para ajudar os governos de 35 países e territórios mais expostos às mudanças climáticas a reforçar a segurança nas escolas, obter novos financiamentos e construir novos sistemas educacionais capazes de resistir a inundações, chuvas e eventos extremos, de modo a proteger a educação e o porvir de milhões de crianças.

